<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-7752636458859150445</id><updated>2012-01-09T08:57:22.597-08:00</updated><category term='Comunicados'/><category term='Biografias'/><category term='História da O.T.O.'/><category term='Ensaios'/><title type='text'>História da O.T.O.</title><subtitle type='html'>&lt;img src="http://www.artemagicka.com/blog_cr/selo_orobas_transp.gif" width="95" height="95" align="right" alt="Orobas"&gt;Desconstruindo alguns &lt;i&gt;enigmas&lt;/i&gt;.&lt;br&gt;Um blog não-oficial dedicado a história e ao imaginário da Ordo Templi Orientis&lt;br&gt;e de seus principais personagens.&lt;br&gt;&lt;br&gt;</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://orobas.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7752636458859150445/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://orobas.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Carlos Raposo:</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01056554005348141232</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_Hshd0rmnA8E/R4Eo8LM5OeI/AAAAAAAAAAM/sBMFKnWHgYs/S220/carlos_3x4_01.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>12</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7752636458859150445.post-7477920210833095186</id><published>2009-10-28T15:45:00.000-07:00</published><updated>2009-10-30T12:39:19.179-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Biografias'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ensaios'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='História da O.T.O.'/><title type='text'>&gt; Uma reflexão sobre a questão da sucessão (II) - A investidura Reuss-Crowley</title><content type='html'>&lt;p align="right"&gt;&lt;span style="FONT-WEIGHT: bold;font-size:85%;" &gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;por Carlos Raposo&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;img align="left" src="http://www.artemagicka.com/blog_cr/letras/scribatus_letra_N.gif" width="70" heigh="70" /&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;a nuvem de desinformações que lança sombras sobre a pouco conhecida história da &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;Ordo Templi Orientis&lt;/span&gt;, tornou-se mote um tanto corriqueiro propalar o “pior homem do mundo”, Aleister Crowley (&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;i.e.&lt;/span&gt; Frater Baphomet), como o sucessor direto e legal de Theodor Reuss (&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;i.e.&lt;/span&gt; Frater Merlin Peregrinus), fundador e primeiro Chefe Externo da Ordem (ou O.H.O. &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;Outer Head of the Order&lt;/span&gt;). Rapidamente, refletir um pouco sobre esta sucessão será o propósito deste post.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Inicialmente, é relevante expor que, no caso da sucessão Reuss-Crowley, boa parte das mencionadas desinformações tem dupla origem. Primeiro, ela vem de ninguém menos do que o próprio Crowley; depois, vem daqueles que por alguma obscura motivação religiosa ainda precisam repetir o que ele disse.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;No que diz respeito ao que foi dito por Frater Baphomet, por exemplo, especificamente relacionado a sua posição como líder absoluto da O.T.O., ele declarou abertamente em suas &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;Confessions &lt;/span&gt;que em 1922 Reuss (após ter sofrido um ataque cardíaco) haveria meramente desistido da liderança da Ordem em seu favor. Nas suas palavras:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;blockquote style="TEXT-ALIGN: left"&gt;&lt;p align="left"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;…uma corporação foi fundada sob o nome O.T.O. (&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;Ordo Templi Orientis&lt;/span&gt;)… Seu propósito é comunicar em noves graus os segredos, não apenas da maçonaria (com os Ritos de 3º, 7º, 33º, 90º, 97º), mas também da Igreja Católica Gnóstica, dos Martinistas, dos Sat Bhai, dos Rosacruzes, dos Cavaleiros do Espírito Santo e assim por diante, com um décimo grau honorário para distinguir um “Rei Santo e Supremo” da Ordem, situado em cada país onde ela estiver estabelecida. O Chefe desses reis é o O.H.O. (&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;Outer Head of the Order&lt;/span&gt; - Chefe Externo da Ordem, ou Frater Superior), que é um autocrata absoluto. Essa posição na ocasião era ocupada por Theodor Reuss, o Rei Santo e Supremo da Alemanha, que em 1922 se demitiu do cargo em meu favor... (Crowley, 1979:700)&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;img hspace="5" vspace="5" align="left" src="http://www.artemagicka.com/blog_cr/imagens/crowley_confessions.jpg" width="190" heigh="240" /&gt;&lt;span style="TEXT-ALIGN: left;font-family:verdana;" &gt;Citar as &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;Confessions &lt;/span&gt;tem sua razão de ser: ocorre que este livro – que de modo magistralmente cínico foi denominado por Crowley como sua “autohagiografia”&lt;span style="font-size:85%;"&gt;(1)&lt;/span&gt; – passou a ser a principal fonte a partir da qual alguns grupos que hoje se denominam &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;Ordo Templi Orientis&lt;/span&gt;, sobremodo os mais sectários, através da repetição de suas palavras procuram estabelecer que Frater Baphomet já &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;servia&lt;/span&gt; como O.H.O. desde 1922, ainda antes da morte do fundador e verdadeiro dono da Ordem, Theodor Reuss.&lt;span style="font-size:85%;"&gt;(2)&lt;/span&gt; Entretanto, longe da abdicação de Reuss ser verídica, o que ocorre aqui é a precipitada tentativa de Crowley, sem qualquer tipo de comprovação minimamente convincente, de legitimar uma investidura como se esta lhe houvesse sido diretamente outorgada por Reuss. Contudo, como sabido, simplesmente tal sucessão jamais existiu. Ademais, quando se considera os últimos anos de vida de Frater Merlin Peregrinus e sua completa antipatia e aversão tanto em relação à Aleister Crowley quanto à religião thelêmica criada pelo mago inglês, até mesmo a hipótese da citada abdicação soa como algo absurdamente tolo.&lt;span style="font-size:85%;"&gt;(3)&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;O tema soa tão canhestro que nem sequer Karl Germer (1885-1962), fidelíssimo discípulo de Crowley (e seu legítimo herdeiro), acreditava nessa sucessão. Não foi por menos que ele afirmou não haver qualquer documento, carta ou sequer um módico registro nos diários de Crowley que comprovasse a suposta nomeação deste como líder máximo da Ordem (Koenig, 1994:43). Curiosamente, a lápide para o assunto, o esquife que encerra o caso de modo definitivo, vem do próprio Crowley, que findou por admitir por escrito a Heinrich Traenker (1880-1956), líder alemão da O.T.O., que Reuss jamais o havia escolhido como seu sucessor na Ordem (Koenig, 1999:18).&lt;span style="font-size:85%;"&gt;(4)&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Assim, hoje é praticamente um consenso entre os historiadores aceitar o fato de que Reuss simplesmente faleceu sem apontar qualquer nome para sucedê-lo na função de O.H.O., como líder internacional da sua &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;Ordo Templi Orientis&lt;/span&gt;. Outrossim, tentar apresentar ou insinuar Crowley como sucessor legítimo e direto de Reuss, como se este houvesse intencionalmente transmitido seu cargo àquele, é algo considerado tanto primário quanto equivocado, e até mesmo tendencioso, visto ser uma alegação sem qualquer consistência ou sustentação histórica. Deste modo, qualquer afirmação não embasada, cuja pretensão seja sugerir uma nomeação sucessória de Reuss para Crowley (como o fazem Wasserman, 1990:94 e Scriven, 2001a:11)&lt;span style="font-size:85%;"&gt;(5)&lt;/span&gt; deve ser apreciada com extrema desconfiança. Informações distorcidas de igual jaez, quando examinadas de modo criterioso, revelam, por parte de seus autores, ou um crasso erro histórico ou uma distorção premeditada da realidade.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;---///\\\---&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;NOTAS:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;1) Uma hagiografia é a biografia de um alguém considerado santo ou santa por uma religião qualquer. Crowley foi o primeiro autor, e até aqui o único autor, a escrever uma “autobiografia de um homem santo”, ou seja, uma &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;autohagiografia&lt;/span&gt;. Aleister Crowley é considerado um homem santo, tanto por ele mesmo quanto pelos seguidores da religião thelêmica.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;2) &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;e.g.&lt;/span&gt;, ver “&lt;a href="http://www.oto-usa.org/history.html#crowley" target="_blank"&gt;O.T.O. Under Crowley&lt;/a&gt;” – uma versão em português desse texto &lt;a href="http://www.ocultura.org.br/index.php/Ordo_Templi_Orientis#A_O.T.O._Dirigida_por_Crowley" target="_blank"&gt;pode ser lida aqui&lt;/a&gt;.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;3) Relembrando, dentro desse contexto, no &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;post &lt;/span&gt;“&lt;a href="http://orobas.blogspot.com/2009/02/uma-reflexao-sobre-questao-da-sucessao.html" target="_blank"&gt;Uma reflexão sobre a questão da sucessão (I)&lt;/a&gt;”, escrevi que “nesse período Reuss passaria a desaprovar completamente qualquer ingerência de Aleister Crowley na sua O.T.O., indo ao extremo de considerar Thelema – a religião fundada por Crowley – uma ideologia nociva e comunista. Assim, Reuss purgaria de sua O.T.O. qualquer menção a Thelema, eliminado da Ordem todos os indícios da religião criada pelo afamado mago inglês. Como comprova a documentação disponível, de fato Reuss chegaria a romper qualquer contato com Crowley, dizendo inclusive que quaisquer ações do inglês não eram mais da conta nem dele e nem da &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;Ordo Templi Orientis&lt;/span&gt;”.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;4) Não deixa de ser relevante observar que aquilo que Crowley declara em suas &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;Confessions &lt;/span&gt;é bem posterior à data da carta enviada a Traenker. Em outras palavras, ao escrever as suas Confissões o “pior homem do mundo” de fato já sabia que Reuss jamais o havia nomeado chefe da Ordem. Dito de modo mais claro, em sua “autohagiografia” Crowley simplesmente mentiu sobre o assunto.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;5) James Wasserman e David Scriven são destacados membros da facção da O.T.O. hoje conhecida como “Califado”. Atualmente, Scriven é o líder (&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;Rex Summus Sanctissimus&lt;/span&gt;) da Grande Loja para os E.U.A., sob o mote de Sabazius Xº.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;BIBLIOGRAFIA&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;CROWLEY, 1979: &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;The Confessions of Aleister Crowley&lt;/span&gt;. Edited by John Symonds and Kenneth Grant. Londres: Arkana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;KOENIG, Peter-Robert. 1994: &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;Materialien zum OTO&lt;/span&gt;. München: AWR.&lt;br /&gt;_____. 1999: “Introduction”. In: NAYLOR, Anton R (Ed.). &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;O.T.O. Rituals and Sex Magick&lt;/span&gt;. Thame: I-H-O Books; pp. 13-61.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;SCRIVEN, David (aka Tau Apiryon). 2001: “History of the Gnostic Catholic Church”. In: CORNELIUS, J. Edward (Ed) e CORNELIUS, Marlene (Ed). &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;Red Flame - A Thelemic Research Journal, nº 2&lt;/span&gt;. Berkely: Red Flame Productions, pp 3-15.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;WASSERMAN, James (aka Ad Veritatem). 1990: “An Introduction to the History of the OTO”. In: BETA, Hymenaeus (Ed.) &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;The Equinox, Vol. III, nº X&lt;/span&gt;. Maine: Samuel Weiser, pp 87-99.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: right"&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7752636458859150445-7477920210833095186?l=orobas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://orobas.blogspot.com/feeds/7477920210833095186/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7752636458859150445&amp;postID=7477920210833095186&amp;isPopup=true' title='28 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7752636458859150445/posts/default/7477920210833095186'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7752636458859150445/posts/default/7477920210833095186'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://orobas.blogspot.com/2009/10/uma-reflexao-sobre-questao-da-sucessao.html' title='&gt; Uma reflexão sobre a questão da sucessão (II) - A investidura Reuss-Crowley'/><author><name>Carlos Raposo:</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01056554005348141232</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_Hshd0rmnA8E/R4Eo8LM5OeI/AAAAAAAAAAM/sBMFKnWHgYs/S220/carlos_3x4_01.jpg'/></author><thr:total>28</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7752636458859150445.post-1125188912399651548</id><published>2009-06-01T15:44:00.000-07:00</published><updated>2011-03-15T15:37:06.998-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='História da O.T.O.'/><title type='text'>&gt; O Sistema de graus da O.T.O. de Reuss e suas aproximações Maçônicas</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;font-size:85%;" &gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;por Carlos Raposo&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=";font-family:verdana;font-size:85%;"  &gt;A Glória é como um círculo na água,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=";font-family:verdana;font-size:85%;"  &gt;que nunca cessa de se aumentar,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=";font-family:verdana;font-size:85%;"  &gt;até que, de tanto se expandir,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=";font-family:verdana;font-size:85%;"  &gt;no nada vai se dispersar.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=";font-family:verdana;font-size:85%;"  &gt;(William Shakespeare, em &lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-family:verdana;font-size:85%;"  &gt;Henrique VI&lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:verdana;font-size:85%;"  &gt;)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;img src="http://www.artemagicka.com/blog_cr/letras/scribatus_letra_D.gif" heigh="70" align="left" width="70" /&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;entre os diversos temas relacionados às Ordens iniciáticas, o respectivo Sistema de Graus pertinente a cada uma delas sempre estará entre os tópicos que mais despertarão a atenção da pesquisa. Isso porque um Sistema de Graus tem muito a mostrar a respeito não somente de como a Ordem é iniciaticamente planejada, mas também desvelará bastante a respeito dos fitos e sentimentos daqueles que a conceberam.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;No caso específico da &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-family:verdana;font-size:100%;"  &gt;Ordo Templi Orientis&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;, desde sua fundação alguns foram os modelos propostos à sua estrutura iniciática de graus. Como os esquemas de graduação imaginados por &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-family:verdana;font-size:100%;"  &gt;Merlin Peregrinus&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt; (Theodor Reuss) não foram efetivamente postos em prática (pois muitos membros da sua O.T.O. foram diretamente admitidos aos graus superiores da Ordem), isso favoreceu constantes reajustes no diagrama inicial. Portanto, não existe um consenso que estabeleça uma estrutura definitiva e, por isso mesmo, facilmente poderão ser encontradas outras referências levemente distintas daquela estrutura que será delineada no presente artigo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Entretanto, longe de meramente querer expor de modo preciso a estrutura de graus da Ordem, meus objetivos aqui são os seguintes: primeiro, apresentar uma proposição referencial conforme inicialmente idealizada por Reuss, para que o arcabouço iniciático da Ordem comece a ser percebido como uma seqüência lógica de graus. Deste modo, posteriormente, sua evolução poderá ser perfeitamente entendida, até se chegar aos modelos finalmente elaborados por Aleister Crowley e seus seguidores.&lt;span style="font-size:85%;"&gt;(1)&lt;/span&gt; Depois, também pretendo mostrar a curiosa manobra de Reuss no sentido de tentar “aproximar” a estrutura da O.T.O. da estrutura de graus pertinente a alguns dos mais conhecidos Ritos Maçônicos do mundo. Concomitantemente a esse segundo objetivo, explicarei o porquê dessa tentativa de “aproximação”, por parte de Reuss, entre O.T.O. e Maçonaria. Por último, responderei a questão a respeito de como, de modo geral, a Maçonaria reagiu às manobras de Reuss.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Logo após a fundação da O.T.O., fato evidenciado por seu documento inaugural, qual seja, a Primeira Constituição da Ordem, datada de 22 de janeiro de 1906 (Reuss, 1999:69), Reuss ainda não havia definido muito bem qual seria a sua estrutura de graus que a comporia. Conforme Breeze (1995:10), foi somente alguns anos mais tarde, em 1912, na edição comemorativa do Jubileu do periódico T&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-family:verdana;font-size:100%;"  &gt;he Oriflamme&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;, que uma estrutura iniciática bem rudimentar calcada em dez graus lineares começou a ser esboçada. Na ocasião, o Sistema de graus da O.T.O. seguia conforme a seguinte tabela:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Grau  - Título&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Iº    - Probacionista&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;IIº   - Minerval&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;IIIº  - Maçom – Loja de São João&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;IVº   - Maçom Escocês&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Vº    - Maçom Rosacruz&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;VIº   - Rosacruz Templário&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;VIIº  - Místico Templário&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;VIIIº - Templário Oriental&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;IXº   - Perfeito Iluminado&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Xº    - Rei Supremo ou O.H.O.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Seja acrescentado que, ainda segundo essa mesma fonte, alguns graus da estrutura acima possuíam duas subdivisões. Destarte, o grau VI era subdividido em dois estágios, chamados de &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-family:verdana;font-size:100%;"  &gt;Magus &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;e &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-family:verdana;font-size:100%;"  &gt;Teoretikus&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;; o grau VII em &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-family:verdana;font-size:100%;"  &gt;Praktikus &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;e &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-family:verdana;font-size:100%;"  &gt;Adeptus&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;; enquanto que o VIIIº se subdividia em &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-family:verdana;font-size:100%;"  &gt;Princeps &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;e &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-family:verdana;font-size:100%;"  &gt;Illuminat&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;(2)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Apesar de aparentemente bem definida, considera-se essa estrutura rudimentar, pois nada mais consta a respeito da mesma. Assim, se por um lado temos tanto o esquema quanto a titulação dada para cada grau, por outro, nada mais existe a respeito dos graus propriamente ditos. Deste modo, questões hipotéticas do tipo, como esses graus eram constituídos, quais eram suas respectivas instruções, o que se fazia em cada um deles, etc., simplesmente não podem ser respondidas de forma apropriada. Até mesmo a existência de Rituais que os definissem adequadamente parece duvidosa. Em suma, a completa ausência de praticamente tudo a respeito desses graus leva fortemente a crer que nos primeiros anos da O.T.O. de Reuss, ela sequer funcionaria como uma Ordem bem definida e devidamente constituída. Conforme apregoa o jargão, era no máximo uma “Ordem de papel”.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Há de se dizer ainda que, despontando como previsível exceção dentro da pouca robusteza característica deste primeiro sistema de graus, praticamente só há notícias (e muitas) sobre a função daquele que ocuparia o Grau máximo da Ordem, o Xº O.T.O. (no caso, função exercida &lt;span style="font-style: italic;"&gt;ad vitam&lt;/span&gt; pelo próprio Reuss). Apenas como ilustração, na mencionada Carta Constitutiva de 1906, entre várias outras atribuições, encontra-se no Artigo V, Seção II, que o "Frater Superior e Chefe Externo da Ordem (C.E.O. – do inglês &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-family:verdana;font-size:100%;"  &gt;Outer Head of the Order&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;, O.H.O.) terá o Poder Único de preencher todos os cargos gerais, apontando pessoas para ocuparem os mesmos, e terá o poder de remover qualquer pessoa de um cargo geral de acordo com sua vontade" (Reuss, 1999:67). Ademais, não é exagero afirmar que grande parte da primeira Constituição da O.T.O. não passa de um adagiário que busca tão somente reforçar o O.H.O. como líder absoluto e total da Ordem.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Todavia, mais tarde o quadro dos graus da O.T.O. mudaria substancialmente. Na ocasião, enquanto as atrocidades e os horrores da Primeira Grande Guerra assolavam boa parte da Europa, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Merlin Peregrinus&lt;/span&gt; tinha preocupações muito mais urgentes e importantes, como reformular o sistema de graus de sua &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-family:verdana;font-size:100%;"  &gt;Ordo Templi Orientis&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;, por exemplo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Na nova Constituição da O.T.O. publicada em 1917, Reuss alterou as subdivisões anteriormente propostas e, muito curiosamente, arriscou um estranho esquema comparativo e equiparativo entre os graus de sua Ordem e os 33 graus da Maçonaria, mais especificamente num modelo livremente inspirado nos graus do regular Rito Escocês Antigo e Aceito (R.E.A.A.), mas que também carregava traços do obscuro Rito de Memphis e Misraim (M.M.). Seguindo conforme sua proposta, o quadro pode ser resumido da seguinte forma:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Graus da O.T.O. e equivalência aos Graus Maçônicos (R.E.A.A. e M.M.)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Iº e II º&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Círculo Externo:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;                    Candidatos ainda em fase de&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;         correspondência e preparação&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;IIIº&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Maçons: 1º - Aprendiz&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;                                                 2º - Companheiro&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;                3º - Mestre&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;IVº&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;4º ao 6º - Maçom Escocês&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;           11º e 12º - Cavaleiro de Santo André&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;    14º e 15º - Maçom do Real Arco&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Vº&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;16º ao 18º - Cavaleiro Rosacruz&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;VIº&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;20º ao 30º - Cavaleiro Kadosh&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;                 31º ao 33º - Grande Inspetor Geral&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;VIIº&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;a) &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Teoreticus&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;     b) Magus da Luz&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;     c) Grande Mestre da Luz ou Grande Mestre de todas Lojas Maçônicas&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;VIIIº&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;a) &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Praticus&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;               b) &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Adeptus&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;      c) &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Princeps&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;      d) &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Illuminatus&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;IXº&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Alto Sacerdote do &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Sanctuarium Sanctum Sanctorum&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Xº&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Chefe Externo da Ordem (O.H.O.)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;De imediato, duas peculiaridades são observados no quadro comparativo imaginado pelo O.H.O.: primeiro, uma nomenclatura bem atípica para os graus do R.E.A.A., não muito condizente com os títulos que normalmente lhes são creditados; depois, a incompreensível omissão dos graus 7, 8, 9, 10, 13 e 19. Não há qualquer explicação sensata que possa esclarecer tanto a atipicidade da nomenclatura usada quanto o sumiço dos graus, senão terem sido apenas equívocos cometidos por &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-family:verdana;font-size:100%;"  &gt;Merlin Peregrinus&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Algo que também salta aos olhos é que ao elaborar esse esquema, Theodor Reuss faz absoluta questão de lembrar o quão completo é o sistema iniciático que ali estava exposto. Para isso, na tabela original ele escreve a seguinte observação ao VIº O.T.O: “N.B.! O 33º é o último grau da Francomaçonaria” (Koenig 1994:22).&lt;span style="font-size:85%;"&gt;(3)&lt;/span&gt; Assim, de acordo com o paralelismo iniciático arquitetado por Reuss, os seis primeiros graus da O.T.O. compreenderiam nada menos do que todos os 33 graus da Maçonaria regular (basicamente, conforme o R.E.A.A.). Os demais graus, do VIIº ao Xº O.T.O., estariam obviamente dispostos para além da via iniciática proposta pelos 33 graus maçônicos, conquanto que, de uma forma não suficientemente clara, resumiriam o restante de graus pertinentes ao Rito de Memphis e Misraim. Com isso, &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-family:verdana;font-size:100%;"  &gt;Merlin Peregrinus&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt; claramente pretendia dizer ao mundo que não somente a sua Ordem absorvera todo conhecimento maçônico existente, mas afirmava também que o conhecimento da sua O.T.O. compreenderia paragens muito superiores àquelas vislumbradas pela Maçonaria.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;(4)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Mesmo ao se levar em conta toda rebuscada onda comparativa entre a O.T.O. e a Maçonaria, também não é exagero algum afirmar que tal paralelismo jamais funcionou na prática, tendo existido apenas na fecunda e pomposa mentalidade de Reuss. Ademais, aqui fica patente mais uma tentativa pueril de &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-family:verdana;font-size:100%;"  &gt;Merlin Peregrinus&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt; de ser identificado como líder máximo de uma extraordinária estrutura maçônica, devidamente reconhecida como tal.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Todavia, levando em consideração ora o comportamento ora as ambições iniciáticas de Reuss,&lt;span style="font-size:85%;"&gt;(5)&lt;/span&gt; pode-se facilmente concluir que seu plano, basicamente, consistia em propagar a O.T.O. como um organismo inteiramente de acordo, equiparado e em perfeita harmonia com a Maçonaria e seus ideais. Isso porque quando se pensa no Theodor Reuss dessa época não se pode deixar de lado a sua fixação em exaltar a glória de sua Ordem, expandindo-a a qualquer custo. Desta feita, ao “aproximar” idealisticamente a sua O.T.O. da Maçonaria, fica patente que o O.H.O. tencionava atrair maçons regulares à sua Ordem. Ao mesmo tempo, ao “equiparar” o VIº da O.T.O. ao grau 33 da Maçonaria, ele garantiria aos membros desta o livre acesso ao primeiro grau subseqüente de sua Ordem. Em palavras mais claras, maçons do grau 33 poderiam ser livremente e imediatamente admitidos na O.T.O., diretamente no VIIº. Concomitantemente, ao garantir entrada de maçons altamente ranqueados em sua Ordem, fica igualmente claro que Reuss nutria a vã esperança de que, com o tempo, tratados de amizade e de mútuo reconhecimento pudessem ser viabilizados até que, finalmente, o movimento inverso pudesse obviamente ser possível. Deste modo, uma vez aceita como uma Ordem maçônica constituída e inteiramente regular, a O.T.O. finalmente teria seus graus fraternalmente acolhidos e também equiparados pela Maçonaria, permitindo agora aos membros daquela a livre entrada nesta. Então, seguindo o mesmo exemplo, agora teríamos os membros a partir do VIº O.T.O. sendo diretamente aceitos como 33º da Maçonaria.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;(6)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Dentro desse contexto, à guisa de exemplos, alguns casos emblemáticos poderão ser citados. Primeiro, frequentemente é dito que, em 1910, o notavelmente afamado Aleister Crowley haveria entrado na O.T.O. diretamente em seu VIIº,&lt;span style="font-size:85%;"&gt;(7)&lt;/span&gt; justamente por ele alegar ser maçom do grau 33 (Scriven, 2001a:10 e 2001a:219). Depois, em 1921, encontramos a mesma situação relacionada à figura extremamente conhecida do “Dr.” Harvey Spencer Lewis (1883-1939), o qual, uma vez reconhecido como maçom altamente graduado por Theodor Reuss, foi imediatamente admitido como membro honorário Soberano Santuário da O.T.O., entrando também diretamente em seu VIIº (Lewis, 1980:38).&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Sobre os dois casos “maçônicos” acima relacionados, valerá ser observada, mesmo que brevemente, a seguinte questão: na verdade, quais eram as credencias maçônicas tanto de Crowley quanto de Lewis? Responder essa questão é importante, pois demonstrará como funcionava o processo de reconhecimento de autoridades Maçônicas por parte de Theodor Reuss. Inicialmente, quanto a Spencer Lewis, sabe-se que o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Imperator &lt;/span&gt;da AMORC fora grau 2 da Maçonaria, ou seja, Companheiro Maçom.&lt;span style="font-size:85%;"&gt;(8)&lt;/span&gt; Por sua vez, ressalta-se que Crowley – apesar de todas as suas alegações – simplesmente jamais possui o status de maçom regular.&lt;span style="font-size:85%;"&gt;(9)&lt;/span&gt; Deste modo, conclui-se que Reuss não somente franqueou os graus superiores de sua O.T.O. para maçons devidamente investidos, mas também os deixou francamente abertos para qualquer pessoa que simplesmente se dissesse maçom de alto grau, mesmo que sem apresentar qualquer Garantia a respeito. Novamente, o que dirigia Reuss era, custe o que custar, expandir a sua Ordem, tanto em tamanho quanto em glória.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Todavia, a revelia dos esforços e da intenção de Reuss em expandir a O.T.O., registre-se que jamais qualquer autoridade associada à Maçonaria regular a aceitou como uma Ordem maçônica devidamente reconhecida. Por essa razão, acertadamente, afirma-se que os graus da O.T.O. não são considerados válidos como graus maçônicos (Breeze, 1995:3). Portanto, efetivamente, embora na época de Theodor Reuss Maçons graduados tenham sido diretamente admitidos aos graus superiores da O&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-family:verdana;font-size:100%;"  &gt;rdo Templi Orientis&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;, jamais um membro da O.T.O. entrou para a Maçonaria regular com um grau superior ao de Aprendiz Maçom. Quanto ao próprio Theodor Reuss, a Maçonaria regular simplesmente o ignora.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Finalizando, Reuss faleceu em 1923, sem os reconhecimentos almejados e sem nomear qualquer herdeiro como líber absoluto de sua Ordem. Na ocasião, &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-family:verdana;font-size:100%;"  &gt;Merlin Peregrinus&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt; praticamente só despertava desconfiança. Na mesma época, tão anódina era a O.T.O. que toda sua pretensa glória e pompa pareciam condenadas a se dispersarem no nada...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;---///\\\---&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=";font-family:verdana;font-size:85%;"  &gt;NOTAS:&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:verdana;font-size:85%;"  &gt;1) Paralelamente aos modelos de graus estruturados por Reuss, outros também foram propostos por Crowley. No entanto, enquanto Reuss permaneceu como O.H.O., todas as proposições de Crowley foram rejeitadas. Apenas quando este tomou para si a liderança da O.T.O. é que, efetivamente, suas proposições passaram a valer. O esquema de graus da O.T.O., segundo idealização de Crowley, será apresentado num próximo artigo, aqui mesmo em Orobas.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:verdana;font-size:85%;"  &gt;2) Mantenho aqui a grafia utilizada por Reuss.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:verdana;font-size:85%;"  &gt;3) Em seu site, Peter Koenig reproduz (a qualidade da imagem não é boa) a tabela da sinopse dos graus da O.T.O. de Reuss, onde essa “observação” pode ser lida. O link para a página é &lt;a href="http://www.parareligion.ch/synopsis.htm" target="_blank"&gt;http://www.parareligion.ch/synopsis.htm/synopsis.htm&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:verdana;font-size:85%;"  &gt;4) Observe-se que Reuss de fato possuía uma elevadíssima autoestima. Por exemplo, Merlin Peregrinus costumava se apresentar como “Soberano Grão Mestre Geral ad vitam das Ordens Maçônicas Unidas da Escócia, de Memphis e Misraim, e de todo Reich Alemão, Soberano Grande Comendador, Grande Absoluto Soberano, Pontífice Soberano, Soberano Grão Mestre dos maçons da O.T.O., Supremo Magus Soc. Frat. R.C., SI, 33º, Termaximus Regens I.O. (i.e., Illuminatorum Ordo), etc". Ver meu artigo &lt;a href="http://orobas.blogspot.com/2009/01/origens-manicas-da-oto.html"&gt;Origens Maçônicas da Ordo Templi Orientis&lt;/a&gt;.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:verdana;font-size:85%;"  &gt;5) Para se conhecer um pouco sobre o perfil comportamental de Theodor Reuss, recomendo a leitura de meu artigo biográfico “&lt;a href="http://orobas.blogspot.com/2009/01/theodor-reuss-1855-1923.html"&gt;Theodor Reuss (1855-1923)&lt;/a&gt;”.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:verdana;font-size:85%;"  &gt;6) Mesmo desconsiderando a pouca engenhosidade de Reuss, previsivelmente, jamais existiu, por parte da Maçonaria regular, a mínima predisposição de aceitar a O.T.O. como um organismo maçônico devidamente constituído.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:verdana;font-size:85%;"  &gt;7) A respeito da pitoresca entrada de Crowley na O.T.O, ver aqui mesmo em Orobas o meu artigo “&lt;a href="http://orobas.blogspot.com/2009/04/aleister-crowley-entra-grande-besta.html"&gt;Aleister Crowley: entra a Grande Besta&lt;/a&gt;”.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:verdana;font-size:85%;"  &gt;8) Apesar de supostas alegações a seu respeito, conforme apurado e de acordo com uma publicação autorizada pela própria AMORC, Spencer Lewis, seu Imperator e fundador, fora tão somente Companheiro Maçom (Rebisse, 2005:179).&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:verdana;font-size:85%;"  &gt;9) Na ocasião, Crowley alegava ter sido elevado ao 33º por um ancião mexicano chamado Dom Jesus Medina, um dos “mais altos chefes do Rito Escocês” da Maçonaria do México (Crowley, 1979:202). Biografias mais recentes de Crowley, entretanto, apontam Medina como um curioso “personagem apócrifo”, ou seja, alguém que jamais existiu (Sutin, 2000:83). Enfim, tudo não passou de pura invenção de Crowley, que jamais foi maçom regular.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:verdana;font-size:85%;"  &gt;---///\\\---&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:verdana;font-size:85%;"  &gt;BIBLIOGRAFIA:&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:verdana;font-size:85%;"  &gt;BREEZE, William (i.e. Hymenaeus Beta, Ed.).&lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:verdana;font-size:85%;"  &gt; 1995: &lt;span style="font-style: italic;"&gt;The Magickal Link- Vol. 9 nº I&lt;/span&gt;. Asheville: O.T.O.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:verdana;font-size:85%;"  &gt;CROWLEY, Aleister. 1979: &lt;span style="font-style: italic;"&gt;The Confessions of Aleister Crowley&lt;/span&gt;. Edited by John Symonds and Kenneth Grant. Londres: Arkana.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:verdana;font-size:85%;"  &gt;KOENIG, P. R., 1994: &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Materialien zum OTO.&lt;/span&gt; Muenchen: AWR.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:verdana;font-size:85%;"  &gt;LEWIS, Ralph M. (ed). 1980: &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Documentos Rosacruzes&lt;/span&gt;. Suprema Grande Loja da AMORC.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:verdana;font-size:85%;"  &gt;NAYLOR, Anton R. (Ed.). 1999: &lt;span style="font-style: italic;"&gt;O.T.O. Rituals and Sex Magick&lt;/span&gt;. Thame: I-H-O Books.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:verdana;font-size:85%;"  &gt;REBISSE, Christian. 2005. &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Rosicrucian History and Mysteries&lt;/span&gt;. San Jose: AMORC.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:verdana;font-size:85%;"  &gt;REUSS, Theodor. 1999: "INRI - Constitution of the Ancient Order of Oriental Templars - OTO". &lt;span style="font-style: italic;"&gt;In&lt;/span&gt;: NAYLOR, Anton R. (Ed.). &lt;span style="font-style: italic;"&gt;O.T.O. Rituals and Sex Magick&lt;/span&gt;. Thame: I-H-O Books, pp 65-69.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:verdana;font-size:85%;"  &gt;SCRIVEN, David (i.e. Tau Apiryon). 2001a: “History of the Gnostic Catholic Church”. In: CORNELIUS, J. Edward (Ed) e CORNELIUS, Marlene (Ed). &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Red Flame - A Thelemic Research Journal, nº 2&lt;/span&gt;. Berkely: Red Flame Productions, pp 3-15.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:verdana;font-size:85%;"  &gt;SUTIN, Lawrence. 2000: &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Do What Thou Wilt – A Life of Aleister Crowley&lt;/span&gt;. New York: St. Martin’s Press.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7752636458859150445-1125188912399651548?l=orobas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://orobas.blogspot.com/feeds/1125188912399651548/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7752636458859150445&amp;postID=1125188912399651548&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7752636458859150445/posts/default/1125188912399651548'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7752636458859150445/posts/default/1125188912399651548'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://orobas.blogspot.com/2009/06/o-sistema-de-graus-da-oto-de-reuss-e.html' title='&gt; O Sistema de graus da O.T.O. de Reuss e suas aproximações Maçônicas'/><author><name>Carlos Raposo:</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01056554005348141232</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_Hshd0rmnA8E/R4Eo8LM5OeI/AAAAAAAAAAM/sBMFKnWHgYs/S220/carlos_3x4_01.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7752636458859150445.post-3183431578544224285</id><published>2009-04-21T13:42:00.000-07:00</published><updated>2009-10-13T08:16:12.492-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='História da O.T.O.'/><title type='text'>&gt; Aleister Crowley: entra “a Grande Besta”!</title><content type='html'>&lt;div  style="text-align: right;font-family:verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;por Carlos Raposo&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Que o Adepto seja armado com seu Crucifixo Mágico&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;e provido com sua Rosa Mística.&lt;br /&gt;........&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;O Crucifixo Mágico é o Bastão do Magista;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;a Lança do Sacerdote; simbólica do Lingam.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Sua Rosa Mística é a Taça da Sacerdotisa, &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;simbólica da Yoni.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;(Aleister Crowley, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Liber XXXVI – A Safira Estrela&lt;/span&gt;)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: verdana;"&gt;&lt;img src="http://www.artemagicka.com/blog_cr/letra_M.gif" heigh="70" align="left" width="70" /&gt;esmo quando avaliado todo o retrospecto das articulações subterrâneas empreendidas por Theodor Reuss, no sentido de dar notoriedade e reconhecimento à Ordem por ele criada, nada estaria comparado à admissão em seus quadros da “grande Besta do Apocalipse”, cognome do afamado mago inglês Aleister Crowley (1875-1947).&lt;span style="font-size:85%;"&gt;(1)&lt;/span&gt; De fato, Reuss tentou reunir entre seus patenteados diversos grandes nomes do cenário ocultista do início do século XX (ver artigos sobre &lt;a href="http://orobas.blogspot.com/2009/01/rudolf-steiner-e-oto.html" target="_new"&gt;Rudolf Steiner&lt;/a&gt;, &lt;a href="http://orobas.blogspot.com/2009/03/uma-nota-sobre-arnold-krumm-heller.html" target="_new"&gt;Arnold Krumm-Heller&lt;/a&gt; e &lt;a href="http://orobas.blogspot.com/2009/04/papus-teder-e-oto-na-franca.html" target="_new"&gt;Papus&lt;/a&gt;), contudo, foi justamente Crowley o personagem que finalmente daria a &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Ordo Templi Orientis&lt;/span&gt; o renome que hoje ela tem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O presente texto visa apresentar, em linhas gerais, como aconteceu a nomeação de Crowley como líder da &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Ordo Templi Orientis&lt;/span&gt; para a Inglaterra. Ao mesmo tempo, pretendo aqui explicar porque a Ordem passou a ter tanta importância para Aleister Crowley e quais eram os planos do mago inglês para a organização concebida por Reuss.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conforme relata certa fonte (Scriven, 2001:219), Crowley haveria sido admitido à O.T.O. em 1910, sendo recebido diretamente no VIIº.&lt;span style="font-size:85%;"&gt;(2)&lt;/span&gt; Dois anos mais tarde, em 1912, após um inusitado encontro com o O.H.O. Theodor Reuss, esse o aceitaria como IXº para, logo em seguida, nomeá-lo &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Rex Summus Sanctissimus&lt;/span&gt;, Xº, Grande Mestre Nacional para a Irlanda, Iona e toda a Bretanha. Exercendo a função de Rei Inglês da O.T.O., Crowley adota para si a denominação “Baphomet Xº”, nominativa esta que lhe serviria de insígnia mística, nome mágico e selo pessoal.&lt;span style="font-size:85%;"&gt;(3)&lt;/span&gt; A seção inglesa da O.T.O., sob a liderança de Crowley, passaria a se chamar &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Mysteria Mystica Máxima&lt;/span&gt;, ou M.'.M.'.M.'. (King, 2002:102 e Symonds, 1989:161n).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img style="width: 153px; height: 230px;" src="http://www.artemagicka.com/blog_cr/ac_as_baphomet.jpg" align="left" hspace="5" vspace="5" /&gt;As circunstâncias de sua posse, em 1912, como Rei da O.T.O. para a Bretanha às vezes são narradas como misteriosas, no mínimo pitorescas. No entanto, conforme descrito desdenhosamente pelo próprio Crowley (1979:709), nesta época ele apenas considerava a O.T.O. um conveniente compêndio de “algumas verdades maçônicas”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sua opinião, entretanto, mudaria radicalmente, resultado de um de seus encontros com o líder &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Merlin Peregrinus&lt;/span&gt;, Theodor Reuss. Na ocasião, Reuss visitara Crowley em Londres. Ali, o O.H.O. acusaria “a Grande Besta” de revelar publicamente o supremo segredo da Ordem, o Arcano dos Arcanos, seu Segredo Central, reservado exclusivamente aos sublimes iniciados do IXº. Enquanto de um lado o atônito Crowley se defendia daquilo que era considerado uma gravíssima e injusta acusação, dizendo que nem sabia qual era o tal segredo e nem sequer pertencia ao grau em questão, do outro, um enfurecido Reuss se dirigia até a estante, pegava um opúsculo e lhe apontava o Capítulo XXXVI do &lt;span style="font-style: italic;"&gt;The Book of Lies&lt;/span&gt;, livro escrito por Crowley. A passagem que denunciaria o inglês dizia que: "...que ele beba do Sacramento e que comunique o mesmo" (Symonds, 1989:160).&lt;span style="font-size:85%;"&gt;(4)&lt;/span&gt; Conforme o O.H.O. da O.T.O., ali estavam explicitamente descritas tanto a natureza quanto a fórmula do ultra-secreto Rito do IXº da Ordem (King, 2002:102).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O &lt;span style="font-style: italic;"&gt;mistério &lt;/span&gt;acerca do evento acima descrito vem da especulação, também por parte do próprio Crowley, para o seguinte ponto: como de costume salientando as incomuns circunstâncias de sua vida, Crowley confessou ter ficado atordoado com fato de Reuss conhecer o conteúdo do &lt;span style="font-style: italic;"&gt;The Book of Lies&lt;/span&gt;, uma vez que este livro só seria publicado no ano seguinte, em 1913. Como explicar, então, pergunta “a Grande Besta”, que seu superior hierárquico na Ordem tivesse ciência do conteúdo do daquele livro, mesmo antes de sua publicação? O próprio Crowley dá a espantosa resposta, insinuando uma espécie portal aberto num de lapso interdimensional de tempo, cuja conseqüência fora proporcionar aos dois Adeptos a extraordinária oportunidade de um encontro, por assim dizer, inteiramente deslocado no espaço-tempo, adiantando-se um ano em relação a 1912 (Symonds, 1989:161-162).&lt;span style="font-size:85%;"&gt;(5)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No decorrer do encontro e após horas de colóquio entre os dois iniciados, Crowley finalmente seria aceito por Reuss como IXº da &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Ordo Templo Orientis&lt;/span&gt;. Logo depois, Reuss o convidaria para ir a Berlim, onde seria empossado como Rei da O.T.O. para todo o Reino Unido.&lt;span style="font-size:85%;"&gt;(6)&lt;/span&gt; Conforme um de seus biógrafos, John Symonds (1989:161), como Crowley jamais recusava a oferta de um jantar, uma aventura ou um título, ele prontamente aceitaria o convite de Reuss e rapidamente seria transformado em &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Rex Summus Sanctissimus&lt;/span&gt; da Ordem de frater Merlin.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todavia, é importante destacar que Crowley afirma (1979:710) que fora justamente aquele o misterioso evento que o arrebataria numa súbita iluminação, advinda da imediata e profunda compreensão acerca da natureza dos ditos mistérios velados e celebrados pelos graus superiores daquela Ordem Templária. A partir dessa afirmação, não é exagero concluir que nesse instante Crowley passou a considerar que toda a doutrina religiosa de sua Lei de Thelema casava perfeitamente com o Segredo Central da O.T.O., como se esta Ordem também guardasse a própria Chave Mestra dos mistérios de sua religião. Assim, se até então a O.T.O. era vista por ele apenas como uma coleção de “verdades maçônicas”, agora a Ordem passava a ser entendida tanto como detentora da própria chave do progresso futuro (&lt;span style="font-style: italic;"&gt;sic&lt;/span&gt;) da humanidade quanto como um veículo da boa nova thelêmica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todavia, longe dessas especulações fantásticas sobre supostas aberturas de portais interdimensionais, mais importante é frisar que, já em 1912, tão logo percebeu a verdadeira natureza do dogma central da O.T.O.,&lt;span style="font-size:85%;"&gt;(7)&lt;/span&gt; Crowley simplesmente passou a cobiçar a Ordem para si. Deste modo, dentro de sua concepção mágica do universo, não mais importava o fato da O.T.O. ser fruto do que ele considerava Éon do Deus Morto ou Sacrificado, ou seja, conforme apregoado pela crença thelêmica, uma Ordem concebida antes de 1904.&lt;span style="font-size:85%;"&gt;(8)&lt;/span&gt; Mais do que um simples ajuntamento de verdades iniciáticas maçônicas, a O.T.O., Ordem que ele considerava possuir nada menos do que a Chave de todos os Mistérios, também seria escolhida para se transformar numa Ordem religiosa cuja tarefa principal passaria a ser a difusão de sua recém criada religião thelêmica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desse modo, pela concepção de Crowley a &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Ordo Templi Orientis&lt;/span&gt; logo haveria de se converter na primeira Ordem do Velho Éon a se submeter integralmente e incondicionalmente a Lei de Thelema.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;NOTAS:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(1) Uso de modo livro o termo “A Grande Besta”, por ser um designativo bem conhecido associado ao nome Aleister Crowley. Tecnicamente, esse título apenas seria adotado por Crowley alguns anos mais tarde, quando ele se autointitularia “Magus” de sua A.'.A.'. (com o mote mágico &lt;span style="font-style: italic;"&gt;To Mega Therion&lt;/span&gt;, expressão grega para “A Grande Besta”).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(2) Outra fonte sugere sem entrar em detalhes que Crowley já havia estabelecido contato com a O.T.O. desde 1907 (Koenig, 1999:17).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(3) Tanto como líder da Ordem na Inglaterra quanto, um pouco mais tarde, autointitulado O.H.O. da O.T.O., Crowley usaria o mote Baphomet XIº. Contudo, há também quem afirme que seu nome mágico secreto era &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Phoenix &lt;/span&gt;(Grant, 1991:15).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(4) O capitulo 36 corresponde ao &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Ritual Safira Estrela&lt;/span&gt; (&lt;span style="font-style: italic;"&gt;The Star Sapphire Ritual - Liber XXXVI&lt;/span&gt;). Em português, consulte minha tradução para o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Liber XXXVI&lt;/span&gt; (&lt;span style="font-style: italic;"&gt;cit.&lt;/span&gt; Duquette, 2007:133-135).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(5) Longe desta bizarra explicação, melhor é a hipótese sustentada por Francis King (2002:102n) quando sugere que a data de publicação impressa no The Book of Lies estava simplesmente errada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(6) A patente original de Xº O.T.O. de Crowley, assinada por Reuss, parece ter sido perdida. No entanto, antes disso ocorrer, ela foi fotografada e publicada como "apêndice", em &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Occult Theocracy&lt;/span&gt;, escrito por Lady Queensborough (Koenig, 1994:4).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(7) O dogma maior, ou segredo central, da O.T.O., consiste na preparação ritualística do assim chamado &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Elixir da Vida&lt;/span&gt;, mistura de esperma com fluidos vaginais (Koenig, 1999:54). O &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Elixir &lt;/span&gt;também era denominado por Crowley e seus seguidores de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Remédio Universal&lt;/span&gt; (King, 1989:123) ou ainda como &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Amrita &lt;/span&gt;(Koenig, 1999:55).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(8) Crowley acreditava, equivocadamente, que a O.T.O. havia sido fundada por volta de 1895, portanto, antes de 1904. Este último foi o ano de fundação da religião thelêmica e, conforme Crowley, representa o marco da passagem do Éon de Peixes para o Éon de Aquário (no linguajar thelêmico, do Velho Éon de Osíris, ou Éon do Deus Sacrificado, para o Novo Éon de Hórus).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BIBLIOGRAFIA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;CROWLEY, Aleister. 1979: &lt;span style="font-style: italic;"&gt;The Confessions of Aleister Crowley&lt;/span&gt;. Edited by John Symonds and Kenneth Grant. Londres: Arkana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;DUQUETTE, Lon Milo. 2007. &lt;span style="font-style: italic;"&gt;A Magia de Aleister Crowley – Um manual dos Rituais de Thelema&lt;/span&gt;. São Paulo :Madras, tradução de Carlos Raposo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;GRANT, Kenneth. 1991: &lt;span style="font-style: italic;"&gt;The Magical Revival&lt;/span&gt;. London: Skoob Books Publishing.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;KING, Francis. 1989: &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Modern Ritual Magic&lt;/span&gt;. Dorset: Prism Press.&lt;br /&gt;_____. 2002: &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Sexuality, Magic &amp;amp; Perversion&lt;/span&gt;. Los Angeles: Feral House.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;KOENIG, Peter-Robert. 1994b: &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Materialien zum OTO&lt;/span&gt;. München: AWR.&lt;br /&gt;_____. 1999: “Introduction”. In: NAYLOR, Anton R. (Ed). &lt;span style="font-style: italic;"&gt;O.T.O. Rituals and Sex Magick&lt;/span&gt;. Thame: I-H-O Books; pp. 13-61.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;SCRIVEN, David (aka Tau Apiryon). 2001a: “History of the Gnostic Catholic Church”. In: CORNELIUS, J. Edward (Ed) e CORNELIUS, Marlene (Ed). &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Red Flame - A Thelemic Research Journal, nº 2&lt;/span&gt;. Berkely: Red Flame Productions, pp 3-15.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;SYMONDS, John. 1989. &lt;span style="font-style: italic;"&gt;The King of the Shadow Realm&lt;/span&gt;. London: Duckworth.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Crédito da imagem: &lt;a href="http://www.lashtal.com/" target="_new"&gt;www.lashtal.com&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7752636458859150445-3183431578544224285?l=orobas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://orobas.blogspot.com/feeds/3183431578544224285/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7752636458859150445&amp;postID=3183431578544224285&amp;isPopup=true' title='17 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7752636458859150445/posts/default/3183431578544224285'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7752636458859150445/posts/default/3183431578544224285'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://orobas.blogspot.com/2009/04/aleister-crowley-entra-grande-besta.html' title='&gt; Aleister Crowley: entra “a Grande Besta”!'/><author><name>Carlos Raposo:</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01056554005348141232</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_Hshd0rmnA8E/R4Eo8LM5OeI/AAAAAAAAAAM/sBMFKnWHgYs/S220/carlos_3x4_01.jpg'/></author><thr:total>17</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7752636458859150445.post-1933660728241272430</id><published>2009-04-01T10:50:00.000-07:00</published><updated>2009-10-13T08:03:57.881-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='História da O.T.O.'/><title type='text'>&gt; Papus, Téder e a O.T.O. na França</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;por Carlos Raposo&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um labirinto é uma casa edificada &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;para confundir os homens;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Sua arquitetura, pródiga em simetrias,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;está subordinada a este fim.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;(Jorge Luis Borges, em &lt;span style="font-style: italic;"&gt;O Aleph&lt;/span&gt;)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: verdana;" align="left"&gt;&lt;img src="http://www.artemagicka.com/blog_cr/letra_O.gif" heigh="70" align="left" width="70" /&gt;presente post se encontra inserido exatamente no mesmo contexto dos artigos sobre &lt;a href="http://orobas.blogspot.com/2009/01/rudolf-steiner-e-oto.html" target="_new"&gt;Rudolf Steiner&lt;/a&gt; e &lt;a href="http://orobas.blogspot.com/2009/03/uma-nota-sobre-arnold-krumm-heller.html" target="_new"&gt;Arnold Krumm-Heller&lt;/a&gt;, ou seja, diz respeito às tentativas de Frater Merlin Peregrinus (&lt;span style="font-style: italic;"&gt;i.e.&lt;/span&gt; &lt;a href="http://orobas.blogspot.com/2009/01/theodor-reuss-1855-1923.html" target="_new"&gt;Theodor Reuss&lt;/a&gt;) de trazer um pouco de respeitabilidade e legitimidade para a sua então recém criada &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Ordo Templi Orientis&lt;/span&gt;. Como já visto nestes artigos, a estratégia de Reuss era deveras bem simples: atrair para a O.T.O. nomes de grande visibilidade no ocultismo internacional.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Posto isto, meu propósito aqui é avaliar a participação na O.T.O. do proeminente ocultista francês Dr. Gerard Encausse (1865-1916)&lt;span style="font-size:85%;"&gt;(1)&lt;/span&gt;, mais conhecido pelo cognome &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Papus&lt;/span&gt;. Concomitantemente, mesmo que rapidamente, apreciarei outros dois renomados ocultistas franceses que, de um modo ou de outro, costumam ser citados como expoentes confrades da &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Ordo Templi Orientis&lt;/span&gt; ao longo dos primeiros decênios do século XX.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Reuss contatou Papus em 1901, bem antes da fundação da O.T.O., que ocorreria apenas em 1906. Inicialmente, os objetivos de Reuss ao buscar se relacionar com aquele ilustre ocultista parecem ter sido dois: primeiro, aproximar-se de Papus; segundo, não medindo esforços para ser reconhecido como Maçom de prestígio, buscar representá-lo como líder na Alemanha do obscuro Rito Maçônico de Swedenborg&lt;span style="font-size:85%;"&gt;(2)&lt;/span&gt;. Contudo, embora houvesse sido admitido no citado Rito naquele mesmo ano (Gilbert, 1996:135), Papus não possuía autoridade para conferir quaisquer tipos de representações em seu nome. Deste modo, coube ao francês apenas se limitar a orientar Reuss no sentido deste procurar conversar com o Supremo Grande Secretário do Rito em questão, função essa então exercida pelo famoso maçom inglês Dr. William Wynn Westcott (1848-1925)&lt;span style="font-size:85%;"&gt;(3)&lt;/span&gt;. Por sua vez, na seqüência dos eventos, foi por intermédio de Westcott que Reuss chegaria ao personagem que detinha total autoridade para lhe dar a tão desejada representatividade relacionada ao Rito de Swedenborg: o polêmico Maçom John Yarker (1833-1913)&lt;span style="font-size:85%;"&gt;(4)&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O contato feito com Yarker logo se mostraria de grande proveito para Reuss (em breve o comentarei por aqui, em Orobas). Contudo, em relação a Encausse – tema principal do presente artigo –, somente um pouco mais tarde é que o líder mundial da O.T.O. veria na França uma promissora oportunidade para expandir as fronteiras de suas Ordens.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img style="width: 135px; height: 180px;" src="http://www.artemagicka.com/blog_cr/papus.jpg" align="left" hspace="5" vspace="5" /&gt;Na ocasião, Papus, também médico e escritor, já contava com a fama de ser um ocultista reconhecidamente consagrado e era membro de diversas organizações de caráter místico e iniciático. Apenas citando algumas, ele havia sido  membro da Sociedade Teosófica (McIntosh, 1975:175) e um dos principais participantes do Conselho dos Doze, órgão responsável pela direção da preclara Ordem da Rosa Cruz Cabalística (Webb, 1989:216)&lt;span style="font-size:85%;"&gt;(5)&lt;/span&gt;, a qual o Dr. Encausse viria a liderar após a morte de seus fundadores. Ao mesmo tempo, credita-se a Papus a fundação (ou reativação, como alguns preferirão frisar) da Ordem dos Superiores Incógnitos, também chamada Ordem dos Martinistas. Ele também foi membro da Ordem Hermética da Aurora Dourada, fazendo parte do Templo de Ahathoor de Paris.(6) Além de tudo isso, em 1893 Papus também fora consagrado Bispo Gnóstico por Tau Valentin II (&lt;span style="font-style: italic;"&gt;i.e.&lt;/span&gt; Jules Doniel, 1842-1903), Primaz da Igreja Gnóstica da França (Scriven, 2001b:217).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar de não ser um maçom regular, em 1908, Papus organizou em Paris uma espécie de conferência internacional de Maçonaria. O evento, também chamado de "Congresso de Espiritualidade", aconteceu no templo parisiense da Loja Maçônica &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Droit Humain&lt;/span&gt;. Reuss, que nesse período ansiava por constituir na França um braço de seu Rito de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Memphis e Misraim&lt;/span&gt;, em 24 de junho daquele ano, aproveitou a ocasião proporcionada pelo Congresso e conferiu justamente a Papus uma Patente&lt;span style="font-size:85%;"&gt;(7)&lt;/span&gt; que o autorizava a fundar algo não muito bem definido, denominado “Supremo Grande Conselho Geral dos Ritos Unificados da Maçonaria Antiga e Primitiva para o grande Oriente de França e suas Dependências em Paris” (Scriven, 2001b:217). No mesmo evento, outro nome oportunamente agraciado pelas patentes distribuídas por Reuss foi o notório Martinista francês Téder (Charles Détré, 1855-1918), que posteriormente viria a suceder Papus na liderança da Ordem Martinista (McIntosh, 1975:220). Conforme as referências consultadas, Papus fora patenteado como 33º, 90º, 96º, enquanto que Téder recebia o 33º, 97º e Xº (Koenig, 1994a:21)&lt;span style="font-size:85%;"&gt;(8)&lt;/span&gt;. A partir das graduações mencionadas nessas referências, pode-se afirmar que embora Papus possuísse patente de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Memphis e Misraim&lt;/span&gt;, o legítimo representante da O.T.O. de Reuss (o Xº) para a França na verdade seria Téder.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porém, existe quem especule – sem muita convicção – sobre a possibilidade de que Papus também houvesse recebido, na mesma oportunidade, o Xº O.T.O. (Scriven, 2001a:8 e 2001b:218)&lt;span style="font-size:85%;"&gt;(9)&lt;/span&gt;, sendo ele, portanto, o real representante da Ordem na França. De todo modo, embora a sombra da dúvida ainda paire sobre a questão, note-se que a revelia de qualquer representatividade recebida por ambos, a sina dos famosos representantes de Reuss mais uma vez se repetiria: nem Téder nem Papus trabalharam no sentido de promover os imaginários braços franceses das Ordens de Merlin Peregrinus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No que concerne a Papus, uma ressalva ainda deve ser feita. Como será visto agora, acredita-se que tudo que ele fez em relação a O.T.O. teria sido nomear outro representante para esta Ordem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim, dentro do escopo pertinente a certa ramificação que teria origem na suposta O.T.O. francesa, outro nome a ser aqui citado é o do franco-haitiano Lucien-François Jean-Maine (1879-1960). Mesmo não sendo alguém hoje considerado famoso pela maioria dos não muito bem informados círculos ocultistas contemporâneos, Jean-Maine foi um conceituado representante das linhagens apostólicas das Igrejas Gnósticas operantes na Franca de sua época. Não há muita documentação que sustente uma história clara sobre sua participação como membro efetivo da Ordem Templária de Theodor Reuss. Porém, inicialmente, existem fontes que indicam Ordenações gnósticas conferidas a Jean-Maine tanto por Papus quanto por Jean Bricaud (1881-1934) (Koenig, 1994a:235)&lt;span style="font-size:85%;"&gt;(10)&lt;/span&gt;, o que pelo menos evidencia a grande possibilidade de haver alguma proximidade entre Jean-Maine e estes dois últimos. Assim sendo, segundo consta, acredita-se que em 1910 Papus – com ou sem permissão de Merlin Peregrinus – teria conferido autoridade de Xº da Ordem de Reuss justamente para Jean-Maine, fazendo-o representante da O.T.O. para o Haiti e às Ilhas Francesas (Koenig, 1994a:246).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De todo modo, com ou sem a patente de Xº da Ordem de Reuss, o franco-haitiano Jean-Maine foi mais um que jamais trabalhou como um membro ativo da O.T.O., no sentido de estabelecê-la devidamente seja no Haiti seja nas Ilhas Francesas, ou em qualquer outro lugar. No entanto, aqui é relevante citá-lo, pois, alguns anos mais tarde, será justamente ele o fundador daquela que é reconhecida como a primeira dissidência da O.T.O., ramificação esta conhecida como O.T.O.A., ou &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Ordo Templi Orientis Antiqua&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em suma, a revelia da insistência de Theodor Reuss, até aproximadamente 1911, de todos os famosos nomes por vezes citados como Xº da O.T.O., não houve sequer um a se empenhar como seu represente de fato, divulgando adequadamente sua Ordem ou trabalhando no sentido de expandí-la. Todos eles, Steiner, Krumm-Heller, Papus, Téder e Jean-Maine, apenas deram continuidade aos movimentos nos quais já estavam engajados, relegando ao completo fracasso o plano de Reuss de tornar a O.T.O. uma organização com forte presença seja na Europa seja na América Latina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por último, naquilo relacionado ao Dr. Gerard Encausse, uma nota curiosa ainda poderá ser acrescentada. Acontece que a revelia de sua não participação como membro efetivo da O.T.O., hoje, Papus é considerado pelos membros do corpo Eclesiástico desta Ordem, a &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Ecclesiae Gnosticae Catholicae&lt;/span&gt;, como um Santo a ser sempre mencionado e adorado em suas Missas Gnósticas (em &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Liber XV&lt;/span&gt;).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;NOTAS:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(1) Embora seja considerado francês, Papus nasceu na Cidade de Corunha, na Espanha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(2) A respeito das atividades do Rito de Swedenborg, consulte o excelente texto de nosso Ir. R. A. Gilbert, “Chaos out of Order: the Rise and Fall of the Swedenborgian Rite”, mencionado na bibliografia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(3) Entre outras, Westcott também foi um dos fundadores da &lt;span style="font-style: italic;"&gt;The Hermetic Order of the Golden Dawn&lt;/span&gt;, bem como Magus Supremus da S.R.I.A. (&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Societas Rosicruciana in Anglia&lt;/span&gt;).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(4) Após muito hesitar, em 21 de fevereiro de 1902 Yarker emite uma patente para Reuss, autorizando-o a fundar em Berlim a Loja Swedenborg do Santo Graal, nº 15 (Gilbert, 1996:135). Ressalte-se que dada à completa irregularidade do Rito de Swedenborg, obviamente esta patente não proporcionou a Reuss a tão almejada regularidade maçônica que ele tanto buscava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(5) Ordem fundada em 1888 por Joséphin Péladan (1859-1918) e Stanislas De Guaita (1861-1897).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(6) Porém, conforme Howe (1972:295), Papus era apenas membro Honorário da &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Golden Dawn &lt;/span&gt;(Aurora Dourada).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(7) Na “História da O.T.O.”, escrita por &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;David Scriven&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt; (&lt;span style="font-style: italic;"&gt;i.e. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Frater Sabazius&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;/span&gt;, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;i.e.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt; Bispo Tau Apyrion&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;) e amplamente divulgada pelos sites da O.T.O. americana, há uma curiosa e muito reveladora observação a respeito dessa patente. Ali, o autor diz enfaticamente que “nesta conferência, Encausse recebeu, sem pagamento, uma patente de Reuss”. Certamente, em se tratando Theodor Reuss, o "sem pagamento" é algo tão inusitado que merece o justo destaque.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(8) Outra fonte indica Téder apenas como IXº O.T.O. (Scriven, 2001b:223).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(9) É importante salientar que David Scriven hoje é conhecido como Frater Sabazius Xº da O.T.O. americana&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;/span&gt;, Ordem estigmatizada pela alcunha “Califado”. Assim, ao procurar estabelecer Papus como membro efetivo da O.T.O., Scriven, na verdade, apenas corroborava a idéia da construção de um passado mítico. De todo modo, recentemente, com o que a historiografia tem demonstrado, Scriven refez o seu texto e pelo menos passou a admitir que a participação de Papus na O.T.O. é “incerta”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(10) Jean Bricaud, ou Bispo Tau Jean III, um dos fundadores e primeiro Patriarca da Igreja Católica Gnóstica (Scriven, 2001a:8).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BIBLIOGRAFIA:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;CROWLEY, Aleister. &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Liber XV - O.T.O. Ecclesiae Gnosticae Catholicae Canon Missae&lt;/span&gt;.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Versão em inglês em: &lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.hermetic.com/sabazius/gnostic_mass.htm" target="_new"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;http://www.hermetic.com/sabazius/gnostic_mass.htm&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;; v&lt;span style="font-size:85%;"&gt;ersão em português: &lt;a href="http://www.otobr.com/textos_pag.asp?txt=1907915900" target="_new"&gt;http://www.otobr.com/textos_pag.asp?txt=1907915900&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;GILBERT, Robert. A. 1996: “Chaos out of Order: the Rise and Fall of the Swedenborgian Rite”. In: GILBERT, Robert A. (ed) &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Ars Quatuor Coronatorum – Transactions of Quatuor Coronati Lodge, Vol. 108 for the Year 1995&lt;/span&gt;. Frome and London: Butler &amp;amp; Tanner, pp 122-149.&lt;br /&gt;Versão on-line: &lt;a href="http://freemasonry.bcy.ca/aqc/swedenborg.html" target="_new"&gt;http://freemasonry.bcy.ca/aqc/swedenborg.html&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;HOWE, Ellic. 1972: &lt;span style="font-style: italic;"&gt;The Magicians of the Golden Dawn&lt;/span&gt;. London: Routledge &amp;amp; Kegan Paul.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;KOENIG, Peter-Robert. 1994: &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Das OTO-Phänomen&lt;/span&gt;. München: AWR.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;McINTOSH, Christopher. 1975: &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Eliphas Levi and the French Occult Revival&lt;/span&gt;. London: Rider &amp;amp; Company.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;SCRIVEN, David (&lt;span style="font-style: italic;"&gt;i.e.&lt;/span&gt; Tau Apiryon ou Frater Sabazius). 2001a: “History of the Gnostic Catholic Church”. In: CORNELIUS, J. Edward (Ed) e CORNELIUS, Marlene (Ed). &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Red Flame - A Thelemic Research Journal, nº 2&lt;/span&gt;. Berkely: Red Flame Productions, pp 3-15.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;_____. 2001b: “Portraits of the Saints of the Gnostic Catholic Church”. In: CORNELIUS, J. Edward (Ed) e CORNELIUS, Marlene (Ed). &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Red Flame - A Thelemic Research Journal, nº 2&lt;/span&gt;. Berkely: Red Flame Productions, pp 117-224.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;_____. “History of the O.T.O.”. Versão on-line em inglês: &lt;a href="http://www.hermetic.com/sabazius/gnostic_mass.htm" target="_new"&gt;http://www.hermetic.com/sabazius/gnostic_mass.htm&lt;/a&gt;. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Versão em português: &lt;a href="http://www.otobr.com/pagina.asp?pg=-1531658296" target="_new"&gt;http://www.otobr.com/pagina.asp?pg=-1531658296&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;WEBB, James. 1989a: “Rosicrucians”. In: CAVENDISH, Richard (ed.) e RHINE, J.B (cons.). &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Encyclopedia of the Unexplained&lt;/span&gt;. London: Arcana, pp 215-218.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Créditos da imagem&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Papus:&lt;br /&gt;Ocultura, em &lt;a href="http://www.ocultura.org.br/index.php/Papus" target="_new"&gt;http://www.ocultura.org.br/index.php/Papus&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7752636458859150445-1933660728241272430?l=orobas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://orobas.blogspot.com/feeds/1933660728241272430/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7752636458859150445&amp;postID=1933660728241272430&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7752636458859150445/posts/default/1933660728241272430'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7752636458859150445/posts/default/1933660728241272430'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://orobas.blogspot.com/2009/04/papus-teder-e-oto-na-franca.html' title='&gt; Papus, Téder e a O.T.O. na França'/><author><name>Carlos Raposo:</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01056554005348141232</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_Hshd0rmnA8E/R4Eo8LM5OeI/AAAAAAAAAAM/sBMFKnWHgYs/S220/carlos_3x4_01.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7752636458859150445.post-6772680065295551568</id><published>2009-03-19T07:35:00.000-07:00</published><updated>2011-08-30T10:29:19.821-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='História da O.T.O.'/><title type='text'>&gt; Uma nota sobre Arnold Krumm-Heller</title><content type='html'>&lt;div style="TEXT-ALIGN: right"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="FONT-WEIGHT: bold"&gt;por Carlos Raposo&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;Se os outros não fossem tolos,&lt;br /&gt;nós teríamos que ser.&lt;br /&gt;(William Blake em &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;Provérbios do Inferno&lt;/span&gt;)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify; FONT-FAMILY: verdana" align="left"&gt;&lt;img align="left" src="http://www.artemagicka.com/blog_cr/letra_E.gif" width="70" heigh="70" /&gt;m um dos &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;posts &lt;/span&gt;por aqui já publicados, avaliei criticamente a “participação” de &lt;a href="http://orobas.blogspot.com/2009/01/rudolf-steiner-e-oto.html" target="_new"&gt;Rudolf Steiner na &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;Ordo Templi Orientis&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;. Exatamente dentro do mesmo contexto que envolveu o nome do pai da Antroposofia com a O.T.O., qual seja, relacionado aos planos de Reuss para torná-la uma Ordem internacionalmente tanto conhecida quanto admirável, ainda no primeiro decênio do século XX outros nomes de expressivo valor aparecem como seus supostos representantes diretos. Entre eles, encontra-se o bem conhecido nome de Arnold Krumm-Heller (1876-1949), costumeiramente citado como &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;Frater Huiracocha&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A presente nota visa apresentar, &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;en passant&lt;/span&gt;, a importância que a O&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;rdo Templi Orientis&lt;/span&gt; teve na vida de Krumm-Heller e vice-versa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img style="WIDTH: 179px; HEIGHT: 294px" hspace="5" vspace="5" align="left" src="http://www.artemagicka.com/blog_cr/krumm-heller.jpg" /&gt;Médico militar, funcionário público, &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;Doutor Honoris Causa &lt;/span&gt;em arqueologia pela Universidade do México e ministro do governo desse país na Suíça e na Alemanha (Dalmor, 1989: 252), além de ocultista de origem germana-mexicana, Arnold Krumm-Heller foi o principal responsável pelo desenvolvimento daquela que hoje é reconhecida como uma das mais tradicionais, respeitáveis e reservadas linhas rosacrucianas do século XX, a F&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;raternitas Rosicruciana Antiqua&lt;/span&gt; (ou F.R.A.). Diga-se que em uma de suas muitas viagens por países da América do Sul, foi justamente Krumm-Heller que no início da década de 1930 trouxe e fundou a F.R.A. no Brasil.(1) Em suma, a vida de Arnold Krumm-Heller é repleta de situações que certamente despertarão o interesse de todos os que lidam com ocultismo, Ordens esotéricas e Sociedades Secretas, iniciações, etc.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todavia, naquilo que concerne estritamente a O.T.O., ao que tudo indica infelizmente não há muito a se dizer em relação a Frater Huiracocha. Ocorre que no início de 1908, Theodor Reuss, inebriado com fixa ideia de expandir sua Ordem e levá-la também às terras latinas, viu em Krumm-Heller essa oportunidade e o nomeou Representante Geral da Ordem para o México (Koenig,1994:22). Assim, em 15 de março do mesmo ano, Huiracocha era feito Xº O.T.O. para aquele país (Koenig, 1994:155).(2)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;But the song remains the same&lt;/span&gt;. Como repetidamente ocorria nas afoitas investidas de Reuss, após um contato inicial deveras promissor, pouco ou nada acontecia. Deste modo, embora com status legal de representante da O.T.O. de Reuss para o México, o fato é que Krumm-Heller simplesmente não chegou a desenvolver qualquer tipo de trabalho ou iniciativa, mínima que seja, relacionada a esta Ordem propriamente dita. Até mesmo pelo contrário, as poucas situações que o ligam ao líder universal da O.T.O. sugerem que ele de certo modo teria preferido, aos poucos, distanciar-se dos propósitos e da ideologia defendidos pela Ordem de Reuss.(3) Nesse sentido, Krumm-Heller fez o mesmo tanto com suas linhas de iniciações gnósticas quanto com sua principal Ordem, a F.R.A., afastando-as quase que completamente de qualquer influência que seu superior direto na O.T.O. pudesse exercer sobre suas atividades iniciáticas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entretanto, ressalte-se que a atitude externa de Huiracocha em relação a O.T.O. não era no sentido de rechaçá-la. Quando necessitava buscar referências para si mesmo, Krumm-Heller usava francamente o nome da O.T.O., apresentando-se como um dos altos iniciados desta organização. Por exemplo, no Capítulo "Todo Irradia" de seu notório livro &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;Logos, Mantram, Magia&lt;/span&gt;, Huiracocha declara abertamente que: "Yo [...] que soy miembro de más de veinte sociedades secretas, como la O.T.O. y A. A. en los cuales tengo el último grado...". Evidentemente, Krumm-Heller caprichosamente omite o fato de que toda sua participação na O.T.O. se limitava a uma indicação formal como Xº desta Ordem, e nada mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em outras palavras, temos no caso da relação entre Huiracocha e a O.T.O. uma espécie de curiosa e conveniente situação: ambos mutuamente se usavam para se auto-afirmarem. Ou seja, se por um lado, não importando a completa ausência de qualquer atividade de Krumm-Heller como membro da O.T.O., ele se apresentava como alto iniciado desta; por outro, desconsiderando a completa omissão operacional de Krumm-Heller em relação a O.T.O., a própria Ordem (como hoje ocorre com suas diversas ramificações remanescentes), dada a fama e credibilidade de Huiracocha, o relaciona como um de seus mais proeminentes e ilustres membros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Certamente esse tipo de relacionamento dará o que pensar. Por um lado, quem sabe, uns dirão que essa relação reflete uma espécie de linda harmonia simbiótica; por outro, todavia, é bem mais provável que se conclua que tudo não passa de pura e frustrante embromação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;NOTAS&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1) Site da F.R.A. no Brasil: &lt;a href="http://www.fra.org.br/" target="_new"&gt;http://www.fra.org.br/&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2) Uma outra referência que merece ser mencionada, agora vinda de Marcelo Ramos Motta, cita Frater Huiracocha como possuidor apenas do VIIIº O.T.O. (Crowley e Motta, 1981:XVIII). Entretanto, ressalte-se que Motta não menciona quais foram as fontes nas quais se baseou para fazer essa afirmação. Em outras palavras, há dúvidas sobre a veracidade da informação por ele prestada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3) Mais uma vez, pesou sobre isso a pouca credibilidade despertada por Reuss (leia &lt;a href="http://orobas.blogspot.com/2009/01/theodor-reuss-1855-1923.html" target="_new"&gt;aqui o texto sobre Theodor Reuss&lt;/a&gt;).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BIBLIOGRAFIA.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;DALMOR, E.R. 1989: &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;Quién fue y Quien és en Ocultismo&lt;/span&gt;. Buenos Aires: Kier.&lt;br /&gt;KRUMM-HELLER, 1990. A. &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;Logos, Mantram, Magia&lt;/span&gt;. Buenos Aires: Kier.&lt;br /&gt;KOENIG, Peter-Robert. 1994: &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;Das OTO-Phänomen&lt;/span&gt;. München: AWR.&lt;br /&gt;CROWLEY, Aleister; MOTTA, Marcelo Ramos. 1981: &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;The Equinox, Vol. V nº4 - Sex and Religion&lt;/span&gt;. Nashville: Thelema Publising.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Crédito da Imagens:&lt;br /&gt;Arnold Krumm-Heller: &lt;a href="http://www.fra.org.br/" target="_new"&gt;F.R.A.&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7752636458859150445-6772680065295551568?l=orobas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://orobas.blogspot.com/feeds/6772680065295551568/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7752636458859150445&amp;postID=6772680065295551568&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7752636458859150445/posts/default/6772680065295551568'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7752636458859150445/posts/default/6772680065295551568'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://orobas.blogspot.com/2009/03/uma-nota-sobre-arnold-krumm-heller.html' title='&gt; Uma nota sobre Arnold Krumm-Heller'/><author><name>Carlos Raposo:</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01056554005348141232</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_Hshd0rmnA8E/R4Eo8LM5OeI/AAAAAAAAAAM/sBMFKnWHgYs/S220/carlos_3x4_01.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7752636458859150445.post-6504322171872479677</id><published>2009-02-26T10:11:00.000-08:00</published><updated>2009-10-13T08:12:53.412-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ensaios'/><title type='text'>&gt; Uma reflexão sobre a questão da sucessão (I)</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;por Carlos Raposo&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;Os estudos devem ter por meta dar ao espírito&lt;br /&gt;uma direção que lhe permita formular juízos sólidos&lt;br /&gt;e verdadeiros sobre tudo que se lhe apresente&lt;br /&gt;(René Descartes em &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Regras para a Orientação do Espírito&lt;/span&gt;)&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: verdana;" align="left"&gt;&lt;img src="http://www.artemagicka.com/blog_cr/letra_U.gif" heigh="70" width="70" align="left" /&gt;ma das questões acerca da história da &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Ordo Templi Orientis &lt;/span&gt;que mais tem preocupado aqueles que nutrem algum interesse por esta Ordem diz respeito à linha de sucessores, aos herdeiros, aos nomes que a lideraram. Essa questão não somente é legítima, mas também se mostra de extrema relevância, tanto àqueles que pretendem se filiar a Ordem quanto àqueles que dela já fazem parte. Afinal, pelo menos, é preciso saber de onde vem o grupo onde se pretende entrar ou do qual se faz parte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O propósito desse &lt;span style="font-style: italic;"&gt;post &lt;/span&gt;é exatamente apresentar a primeira parte de uma reflexão a respeito. Para tal, examinarei, a voo de pássaro, ora o que se diz a respeito dessa questão ora o que a pesquisa mais recente tem demonstrado, contrapondo tanto a opinião sectária quanto a opinião do senso comum com as evidências trazidas a lume pela análise histórica apartidária, não comprometida com ideologias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Num primeiro momento, boa parte dos discursos e opiniões encontrados estão construídos de modo a corroborar uma clara sequência de transmissão inciática, calcada nas seguintes linhas gerais: a O.T.O. teria sido fundada pelo austríaco Carl Kellner em 1895. Desse modo, o austríaco fica estabelecido como o primeiro Chefe Externo da Ordem, costumeiramente denominado de O.H.O. (acróstico para &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Outer Head of the Order&lt;/span&gt;). O mesmo discurso sustenta que Kellner fora sucedido por Reuss em 1905. Por sua vez, este teria legado a direção geral da Ordem para Aleister Crowley (1875-1947), que a conduziria aproximadamente a partir de 1925, um pouco depois da morte de Reuss em 1923. Em seguida, Crowley deixaria a O.T.O. para Karl Germer (1885-1962). Na sequência de sucessores, Germer indicaria “os Chefes” da Ordem como continuadores de seu trabalho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em suma, as primeiras quatro gerações de O.H.O. da Ordem, ou a linha de sucessão iniciática da O.T.O., seria traçada do seguinte modo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1) Carl Kellner&lt;br /&gt;2) Theodor Reuss&lt;br /&gt;3) Aleister Crowley&lt;br /&gt;4) Karl Germer&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porém, o que a pesquisa nos mostra a respeito?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao examinar a suposta sequência de quatro gerações de transmissão iniciática, o primeiro ponto que naturalmente brota diz respeito à própria fundação da &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Ordo Templi Orientis&lt;/span&gt;: teria sido realmente Kellner o seu fundador? Para respondê-la, lembro que aqui mesmo em Orobas (leia em &lt;a href="http://orobas.blogspot.com/2009/01/origens-manicas-da-oto.html" target="_new"&gt;Origens Maçônicas da O.T.O.&lt;/a&gt; e o texto sobre &lt;a href="http://orobas.blogspot.com/2009/01/carl-kellner-1850-1905.html" target="_new"&gt;Carl Kellner&lt;/a&gt;) já foi demonstrado que não há nenhuma relação de Kellner com a O.T.O. e que de fato fora Reuss o criador dessa Ordem. Assim, como foi este último que fundou a Ordem, não há sentido algum considerá-lo – nem Reuss e nem qualquer outro – herdeiro ou sucessor Kellner no que quer que seja.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois, questiona-se para quem Reuss teria legado a sua Ordem. Curiosamente, a resposta é bastante simples, conquanto que mordaz: para ninguém. Em outras palavras, ninguém herdou a Ordem diretamente de Reuss.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todavia, o problema sobre quem sucedeu Reuss não acaba aí. Como se essa vacância de herdeiro já não fosse suficiente para se questionar qualquer nome que pleiteasse posição destacada numa alegada cadeia iniciática de líderes da O.T.O., eis que, como mágica, aqui abrolha exatamente o nome de Aleister Crowley como O.H.O. da organização de Reuss. Acontece que se considerarmos pelo menos os últimos três anos da vida do criador da Ordem, tal fato chega a ser bizarro, senão absurdo, pois nesse período Reuss passaria a desaprovar completamente qualquer ingerência de Aleister Crowley na sua O.T.O., indo ao extremo de considerar Thelema – a religião fundada por Crowley – uma ideologia nociva e comunista (1). Assim, Reuss purgaria de sua O.T.O. qualquer menção a Thelema, eliminado da Ordem todos os indícios da religião criada pelo afamado mago inglês. Como comprova a documentação disponível (2), de fato Reuss chegaria a romper qualquer contato com Crowley, dizendo inclusive que quaisquer ações do inglês não eram mais da conta nem dele e nem da &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Ordo Templi Orientis&lt;/span&gt; (3).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img style="width: 179px; height: 294px;" src="http://www.artemagicka.com/blog_cr/ac_as_baphomet.jpg" vspace="5" align="left" hspace="5" /&gt;Porém, como então Crowley despontaria como O.H.O. da O.T.O? Em 1925, um pouco depois da morte de Reuss, Crowley arranja um encontro onde além de um reduzido número de discípulos seus, foram convidados os líderes nacionais da Ordem e algumas outras lideranças ocultistas de pouca expressividade. Em carta a um dos líderes nacionais da O.T.O., Crowley deixava bem claro seu objetivo em realizar a reunião: ele queria dominar TODAS as Ordens existentes. Não levando em consideração a baixa presença – praticamente nenhum líder nacional da O.T.O. compareceu, bem como praticamente nenhuma liderança ocultista – a reunião mesmo assim se realizou. E foi nela que Crowley apresentou uma declaração (escrita por ele mesmo) exigindo que todos que ali estavam a assinassem, reconhecendo-o como ninguém menos do que o próprio “Redentor da Humanidade”.(4) Para resumir o que acontecera ali a partir de então, após uma certa revolta de alguns presentes, reunião foi encerrada com Crowley reconhecido por quase meia dúzia de assinaturas (de seus discípulos) como o “Redentor da Humanidade”. A partir desse fato, inadvertidamente se costuma dizer que Crowley teria sido “eleito” como O.H.O da &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Ordo Templi Orientis&lt;/span&gt;. Contudo, apesar do capricho de Crowley em exigir ser reconhecido pelos presentes como o “Redentor da Humanidade”, absolutamente nada fora decidido a respeito do nome que ocuparia a função de O.H.O. da Ordem de Theodor Reuss.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao que tudo indica, passado alguns meses depois disso, como ninguém parecia se importar com o destino da O.T.O. de Reuss(5), Crowley meramente passaria a se apresentar como o líder, ou O.H.O., de uma nova O.T.O., agora inteiramente transformada e convertida como um instrumento de disseminação de sua religião thelêmica. Por mero desinteresse, ninguém o questionaria e ele assim permaneceu como líder da Ordem. Em outras palavras, oficialmente, Crowley jamais sucedeu quem quer que seja como líder da O.T.O., mas apenas se impôs como Chefe de um grupo inteiramente novo e, de certo modo, espúrio em relação à Ordem de Reuss.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois, encontramos Karl Germer na linha de sucessão da &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Ordo Templi Orientis&lt;/span&gt;. De fato, Aleister Crowley deixou por escrito em seu testamento que a sua O.T.O. ficaria para Germer. Embora isso não se questione, não deixam de ser notáveis as diversas declarações lamuriosas de Germer no sentido de não querer esse peso sobre seus ombros. Mais ainda, para ele, o herdeiro natural de Crowley deveria ter sido Kenneth Grant (n. 1924).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contudo, o que finalmente parecia muito bem definido, pelo menos em relação à sucessão Crowley-Germer, acabou por desmbocar numa uma grande confusão. Quem sucederia Germer?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Primeiro, Kenneth Grant, aquele que Germer considerava herdeiro natural de Crowley, começou a desenvolver um inédito trabalho com a Loja inglesa Nova Ísis, elaborando seus próprios rituais, desenvolvendo-os de acordo com a doutrina a qual chamou de “transplutoniana”. Furioso com a iniciativa  e independência de Grant, ainda na década de 1950, Germer o expulsa sumariamente dos quadros da Ordem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas a confusão começa mesmo quando, alguns anos depois, Germer deixa um documento que além de não delegar ninguém como seu sucessor, indica explicitamente que os “Chefes” da O.T.O. deveriam dirigir a Ordem após a sua morte. Assim, com o falecimento de Germer em 1962, aos poucos, começam a entrar em cena como líderes da Ordem os nomes que comporiam uma suposta 5ª geração de O.H.O. simultâneos da Ordem: o suíço Joseph Metzger (1919-1990), o já citado inglês Kenneth Grant, o americano Grady Louis McMurtry (1918-1985) e o brasileiro Marcelo Ramos Motta (1931-1987). Nesse sentido, Metzger promoveu uma “eleição”, onde participaram apenas aqueles que já estavam sob sua tutela, e foi “eleito” Chefe mundial da Ordem. Por sua vez, Grant fechou a Loja Nova Ísis, começou a publicar livros a respeito de Crowley, da O.T.O, de Thelema e de vários assuntos correlatos, e também se promoveu como chefe mundial da Ordem. Nos EUA, McMurtry evocou alguns documentos os quais chamou de “emergenciais” e se disse chefe mundial da Ordem. No Brasil, o mesmo foi feito por Marcelo Motta, que por ter sido considerado por Germer como o “Seguidor”, também se achou no direito de se proclamar chefe mundial da Ordem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De certo modo, a O.T.O. então passa a ser algo parecido a um Cérbero, só que com quatro cabeças, com quatro chefes mundiais a conduzi-la de modo mutuamente independente. Algo aqui deve ser ressaltado: se por um lado tanto Metzger quanto Grant trabalham como líderes sem qualquer tipo de interferência no trabalho alheio, por outro, o mesmo não pode ser dito a respeito de McMurtry e Motta. Mas isso é algo que examinaremos no futuro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Atualmente, o quadro internacional da O.T.O. é o seguinte: os remanescentes de Metzger continuam reservadamente com o seu trabalho na Suíça; Grant segue trabalhando e divulgando seus livros e a sua O.T.O., hoje chamada de Tifoniana; McMurtry estabeleceu o Califado que hoje se encontra em diversos países, com diversos Corpos filiados trabalhando no tradicional modo de iniciações presenciais; e os que se consideram sucessores de Motta e de sua Sociedade Ordo Templi Orientis, seguem em diversas iniciativas pessoais e locais, com um trabalho bastante fragmentado e praticamente sem consistência. Cada um  desses grupos reclama para si a autenticidade do próprio trabalho, considerando-se herdeiro absoluto e único da Obra que teria sido iniciada por Kellner.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em breve, abordarei aqui em Orobas separadamente cada uma desses grupos remanescentes. Todavia, por agora, resumo da seguinte forma o pitoresco quadro histórico de sucessores da O.T.O., que na verdade mais parece seguir uma espécie de estranha linha não inciática:&lt;br /&gt;&lt;ol&gt;&lt;li&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Kellner nem fundou nem nunca pertenceu a qualquer O.T.O., logo, ninguém pode afirmar que teria herdado dele esta Ordem;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Theodor Reuss, o verdadeiro criador da O.T.O., não a delegou para quem quer que seja, não nomeou herdeiro ou sucessor, não determinou seu substituto como O.H.O e líder supremo de sua Ordem. Em decorrência disso, pode-se afirmar que a autêntica Ordo Templi Orientis simplesmente nasceu e morreu com Theodor Reuss.&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Depois, sem consultar ninguém a respeito, Aleister Crowley, que inicialmente pretendia “apenas” ser aclamado o “redentor do mundo”, simplesmente se impôs como O.H.O. de uma versão completamente nova da O.T.O., agora transformada em uma Ordem religiosa, cujo objetivo maior era disseminar pelo mundo a sua religião de Thelema. A nova O.T.O. thelêmica, assim, passa a ser considerada espúria em relação à Ordem de Reuss;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Aleister Crowley, de fato, legou a sua nova O.T.O. thelêmica para Karl Germer.&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Por sua vez, Karl Germer não legou a Ordem especificamente para alguém, deixando-a para os seus “Chefes”, sem declarar que Chefes eram esses;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Praticamente todos os grupos que atualmente subsistem sob a denominação “O.T.O.” têm origem em pelo menos um dos quatro “Chefes” que se julgaram no direito de serem O.H.O., ou líderes supremos da O.T.O., a saber: Marcelo Ramos Motta, no Brasil; Kenneth Grant, na Inglaterra; Grady L. McMurtry, nos EUA e Joseph Metzger, na Suíça.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/li&gt;&lt;/ol&gt;Por último, em relação ao item (6) acima, entre querelas, decisões judiciais, etc, paira a eterna dúvida: quem possui legitimidade para desenvolver o trabalho da O.T.O.? É o que veremos nos próximos &lt;span style="font-style: italic;"&gt;posts&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Créditos das imagens:&lt;br /&gt;Alesiter Crowley: &lt;a href="http://www.lashtal.com/gallery/displayimage.php?pos=-48"&gt;www.lashtal.com&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;NOTAS:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(1) Ironicamente, em sua juventude Reuss se declarou militante da causa comunista. Ver post sobre &lt;a href="http://orobas.blogspot.com/2009/01/theodor-reuss-1855-1923.html" target="_new"&gt;Theodor Reuss&lt;/a&gt;, aqui mesmo em Orobas.&lt;br /&gt;(2) Por ser apenas uma breve reflexão, não é objetivo do presente post apresentar essa documentação. Contudo, em breve postaremos um texto que demonstrará quais foram as desavenças que fizeram com que Reuss rompesse definitivamente qualquer contato com Aleister Crowley.&lt;br /&gt;(3) Há pesquisas que sugerem que Crowley fora expulso da O.T.O. por Reuss.&lt;br /&gt;(4) Muito possivelmente, Crowley estaria bastante impressionado e influenciado pela disseminada ideia teosófica a respeito do “Instrutor do Mundo”.&lt;br /&gt;(5) Ninguém tinha interesse no legado de Reuss, possivelmente consequência de sua péssima fama e praticamente nenhuma credibilidade (para conhecer um pouco de sua vida, leia o texto sobre &lt;a href="http://orobas.blogspot.com/2009/01/theodor-reuss-1855-1923.html" target="_new"&gt;Theodor Reuss&lt;/a&gt;).&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7752636458859150445-6504322171872479677?l=orobas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://orobas.blogspot.com/feeds/6504322171872479677/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7752636458859150445&amp;postID=6504322171872479677&amp;isPopup=true' title='12 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7752636458859150445/posts/default/6504322171872479677'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7752636458859150445/posts/default/6504322171872479677'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://orobas.blogspot.com/2009/02/uma-reflexao-sobre-questao-da-sucessao.html' title='&gt; Uma reflexão sobre a questão da sucessão (I)'/><author><name>Carlos Raposo:</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01056554005348141232</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_Hshd0rmnA8E/R4Eo8LM5OeI/AAAAAAAAAAM/sBMFKnWHgYs/S220/carlos_3x4_01.jpg'/></author><thr:total>12</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7752636458859150445.post-6427159346166095252</id><published>2009-02-08T15:53:00.000-08:00</published><updated>2009-10-13T08:11:30.574-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ensaios'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='História da O.T.O.'/><title type='text'>&gt; Herança Templária: história ou mitologia retrospectiva?</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;por Carlos Raposo&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;Não basta constatar o embuste.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;É preciso também descobrir seus motivos.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;(Marc Bloch, em &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Apologia da História&lt;/span&gt;)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: verdana;" align="left"&gt;&lt;img src="http://www.artemagicka.com/blog_cr/letra_N.gif" heigh="70" align="left" width="70" /&gt;um primeiro momento, por associação direta, a designação nominativa &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Ordo Templi Orientis&lt;/span&gt; (“Ordem dos Templários do Oriente”) evoca a imediata lembrança da histórica Ordem do Templo, da qual fizeram parte os famosos Cavaleiros Templários, também conhecidos como os Pobres Cavaleiros de Cristo. Daí surge a inevitável indagação: qual a verdadeira conexão existente entre estas duas Ordens? O presente &lt;span style="font-style: italic;"&gt;post &lt;/span&gt;visa responder essa questão, bem como explorar as razões pelas quais algumas Ordens buscam cercar de glórias as suas supostas raízes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No que diz respeito à famosa Ordem do Templo, apesar dela ter sido agraciada como uma vasta estrutura, pretensamente capaz de tudo suportar, os historiadores menos inclinados a elucubrações românticas são duramente taxativos quando afirmam a completa supressão da instituição templária (Demurger, 2002:262). Porém, dentro das especulações acerca dos legendários Cavaleiros Templários é perfeitamente possível supor que alguns deles tenham escapado da atroz perseguição imposta à Ordem, a qual desembocou, ainda no alvorecer do século XIV, na extinção da instituição. Embora a grande maioria deles tenha sido subjugada, encarcerada ou morta (Demurger, 1986:276), admitindo-se uma possibilidade de fuga, ora os Cavaleiros remanescentes se uniriam a diferentes Ordens Militares ora subsistiriam em outros lugares, sob nova denominação. Assim, uma vez consentindo a existência de uma doutrina templária tanto secreta quanto iniciática (Evola, 1987:132) e uma vez aceitando que alguns Templários haveriam escapado, estima-se que, deste modo, seus remanescentes puderam de alguma forma dar prosseguimento à disseminação do conhecimento que possuíam, chegando até mesmo a – como a lenda se esforça por sustentar – continuar com o padrão iniciático que se crê ter sido secretamente praticado pelos Templários na época da Ordem do Templo. Estritamente condicionada a esta frágil possibilidade, acredita-se, então, que os mistérios outrora pertencentes aos Cavaleiros Templários tenham, de alguma forma não muito clara, permanecidos até os dias atuais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img src="http://www.artemagicka.com/blog_cr/templarios.jpg" align="right" /&gt;A partir da hipótese acima construída, são inúmeros aqueles que se avigoram no sentido de procurar estabelecer vínculos históricos entre a Ordem do Templo e movimentos contemporâneos entendidos como possuidores de natureza templária ou, quiçá, neo-templária. Contudo, em que se pese todo esse empenho, até o presente momento, tanto a revelia da opinião expressada pelo senso comum quanto das paixões suscitadas pelo tema, não há estudo confiável sob o ponto de vista histórico que demonstre claramente qualquer linha de transmissão dos alegados mistérios templários até os nossos dias, assim como supostamente cultivados pelos Cavaleiros do Templo. Aliás, até mesmo a afirmação de terem sido os Templários possuidores de conhecimentos espirituais ocultos, secretos, inefáveis e iniciáticos, encontra-se hoje tão cercada por folclores e superstições, que mesmo um pesquisador pouco ajuizado tenderá a apreciar com sérias reservas a hipótese de uma alegada herança Templária naquilo que diz estrito respeito a sua pretensa doutrina mística. Inserido neste contexto, costuma-se citar, por exemplo, o caso do mais famoso ídolo templário. Apesar de contar com grande popularidade no permissivo meio esotérico atual, tantos são os absurdos ditos acerca de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Baphomet&lt;/span&gt;, que não mais se ousa afirmar que o ídolo realmente existiu no seio da Ordem do Templo, mas que ele não passa - conjetura esta que tem ganhado força - de uma simples estrutura imaginária tardia, um mito posterior aos próprios Cavaleiros do Templo de Jerusalém.(1)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Consequentemente, ante a impossibilidade de se demonstrar, de modo taxativo, uma herança templária, algumas Ordens contemporâneas têm nitidamente mudado o enfoque de seus discursos, esforçando-se no sentido de traçar paralelos entre as suas atividades e as atividades da antiga Ordem do Templo. Segundo o novo enfoque, embora de fato não exista nada conclusivo sobre a herança templária, a partir de certos pontos considerados comuns entre as Ordens seria então possível aceitar nos grupos contemporâneos a existência daquele anseio religioso, a influência do espírito sagrado outrora presente naquela antiga Ordem. Neste sentido, as atuais Ordens promoveram a transformação dos eventos das antigas Confrarias de Cavalaria em alegorias místicas. Assim, por exemplo, viagens ao oriente misterioso foram adequadas a jornadas iniciáticas simbólicas, realizadas no interior de templos; percalços da peregrinação em direção ao sagrado, transformadas em pequenas provações, ordálios e trotes ritualísticos; conquanto que a própria Irmandade de Cavalaria a salvaguardar os peregrinos nos longos e perigosos percursos à Terra Santa, convertida em uma Ordem Iniciática a proteger seus adeptos na tortuosa senda individual em demanda do conhecimento sagrado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muito correto é afirmar que tal horizonte, por vago e lato em termos de uma autêntica herança espiritual, não soa algo convincente. Entretanto, seja dito que para muitos grupos simplesmente é isso o que lhes restou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Destarte, respondendo a questão inicialmente proposta, não existe qualquer conexão plausível entre a O.T.O. e os Cavaleiros Templários.(2) Contudo, embora esta prática seja adotada por poucos, existem ramificações da O.T.O. que aproveitam a óbvia associação nominativa, tendendo discretamente a incentivá-la, no sentido de sedimentar em seus membros a tácita certeza de que eles não somente fazem parte de algo sagrado, mas também de uma Ordem inegavelmente histórica, antiga, a qual, por séculos a fio, teria sido de grande valia para os rumos místicos do ocidente. Com este fito, antes de qualquer investida expositiva sobre a história da O.T.O., tornou-se voga nestas ramificações, apresentar-se - a título de “introdução” - uma série de informações generalistas sobre os Cavaleiros Templários, de modo a produzir um automático e hipotético vínculo advindo de um possível legado templário.(3) Ao mesmo tempo, pretende-se com aquelas informações introdutórias, seguindo a idéia central de sedimentar a natureza do sagrado e do antigo, a partir da expectativa de que o conhecimento dos Templários houvesse sido preservado, estabelecer a existência nos nossos dias de uma espécie de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;revival &lt;/span&gt;esotérico (Wasserman, 1990:92), o qual teria indiscutível origem na fundação da Ordem dos Cavaleiros Templários, por Hughes de Payens, em 1118.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A O.T.O., assim apresentada chega a ser erroneamente interpretada por alguns como uma natural herdeira dos Cavaleiros Templários. Historicamente, entretanto, não existe qualquer evidência, ou sequer vestígio, que possa unir estes àquela. Porém, também seja dito, dentro do contexto de alguns grupos iniciáticos atuais, há a premente necessidade de se fomentar tal tipo de falsa conexão, por um motivo de fato bem simples: por vezes ela é a força motriz que impulsiona o espírito ideológico responsável pela existência dos próprios grupos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não são raros os exemplos de Ordens a se utilizarem daquilo que, academicamente, pode ser chamado de mitologia retrospectiva, ou seja, manipular consideravelmente os fatos tendo em vista a construção de um fictício passado glorioso. Como freqüentemente dito pelos totalitaristas, na falta de um passado convincente é perfeitamente possível se forjar um. No embalo deste furor ideológico, há até uma facção da O.T.O., a qual, extrapolando quaisquer dos limites sugeridos pelo bom senso, ao abusar da fórmula das mitologias retrospectivas, além de forçar um elo com os antigos Cavaleiros Templários, faz exatamente o mesmo com diversas correntes de pensamento iniciático, como a Maçonaria, o Gnosticismo, a Teosofia, a Rosacruz, o Iluminismo, as Escolas Pagãs, etc. Conforme os seguidores desta ramificação, estes movimentos iniciáticos nada mais representariam senão a agitação da natureza, o imbróglio necessário à germinação da verdadeira Ordem, a qual seria representada por eles mesmos. Deste modo, conforme este canhestro discurso, a O.T.O. seria o produto final de uma espécie de histórica e magistral &lt;span style="font-style: italic;"&gt;confluência de divergentes correntes&lt;/span&gt; de sabedoria (sic).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Concluindo, segue a recomendação: ao tomar contato com qualquer Ordem que alegue possuir ascendência na Ordem do Templo e que alegue ter raízes nos Cavaleiros Templários, antes de simplesmente aceitar o que é dito, valerá muito mais buscar referências seguras a respeito disso. Afinal, todo o rebuscado romantismo que cerca as Ordens iniciáticas é um instrumento que tende a levar o neófito ao crer, mas nunca ao saber.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;NOTAS:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1) A esse respeito, ver minha pesquisa &lt;a target="_blank" href="http://www.artemagicka.com/artigos/baphomet.htm"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Os Mistérios de Baphomet&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;2) Não seria exagero afirmar que o mesmo se aplica a diversas outras Ordens contemporâneas que alegam possuírem heranças diretas dos Templários.&lt;br /&gt;3) A utilização ritualística de personagens históricos, por exemplo, como Saladino, é uma outra forma bem clara de sugerir uma possível herança ancestral.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bibliografia:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;DEMURGER, Alain. 1986: &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Auge y Caída de los Templários&lt;/span&gt;. Barcelona: Martinez Roca.&lt;br /&gt;_____. 2002: &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Os Cavaleiros de Cristo&lt;/span&gt;. Rio de Janeiro: Jorge Zahar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;EVOLA, Julius. 1987: &lt;span style="font-style: italic;"&gt;O Mistério do Graal&lt;/span&gt;. São Paulo: Pensamento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;WASSERMAN, James (aka fr. Ad Veritatem). 1990: “An Introduction to the History of the OTO”. In: BETA, Hymenaeus (Ed.) &lt;span style="font-style: italic;"&gt;The Equinox, Vol. III, nº X&lt;/span&gt;. Maine: Samuel Weiser, pp 87-99.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Crédito da imagem:&lt;br /&gt;Templários (acervo pessoal)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7752636458859150445-6427159346166095252?l=orobas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://orobas.blogspot.com/feeds/6427159346166095252/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7752636458859150445&amp;postID=6427159346166095252&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7752636458859150445/posts/default/6427159346166095252'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7752636458859150445/posts/default/6427159346166095252'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://orobas.blogspot.com/2009/02/heranca-templaria-historia-ou-mitologia.html' title='&gt; Herança Templária: história ou mitologia retrospectiva?'/><author><name>Carlos Raposo:</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01056554005348141232</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_Hshd0rmnA8E/R4Eo8LM5OeI/AAAAAAAAAAM/sBMFKnWHgYs/S220/carlos_3x4_01.jpg'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7752636458859150445.post-8822812083656795889</id><published>2009-01-25T17:14:00.000-08:00</published><updated>2009-10-13T08:10:25.303-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='História da O.T.O.'/><title type='text'>&gt; Rudolf Steiner e a O.T.O.</title><content type='html'>&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;por Carlos Raposo&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;A menor verdade,&lt;br /&gt;logo que ela pertença propriamente a alguém,&lt;br /&gt;torna feliz quem a descobriu: por exemplo,&lt;br /&gt;uma correção feita num livro impresso ou num manuscrito.&lt;br /&gt;(Friedrich Nietzsche em &lt;em&gt;Escritos sobre a História&lt;/em&gt;)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div  style="text-align: justify;font-family:verdana;" align="left"&gt;&lt;img src="http://www.artemagicka.com/blog_cr/letra_A.gif" heigh="70" align="left" width="70" /&gt; partir de 1906 com a fundação da sua O.T.O., Theodor Reuss, agora conhecido também como Frater Merlin Peregrinus Xº, decidiu concentrar suas energias no sentido de promover ao longo do restante da primeira década do século XX a sua nova &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Ordo Templi Orientis&lt;/span&gt;. O estratagema imediatamente usado pelo O.H.O. – iniciais de Outer Head of the Order, Chefe Externo da Ordem, cargo exercido por Reuss como líder supremo da O.T.O – foi buscar representatividade de peso, criteriosamente selecionando múltiplos renomados personagens do cenário místicoocultista mundial, sobremodo europeu. Essencialmente, o plano de Reuss consistia em nomeá-los representantes da O.T.O. e de suas demais Ordens para diversos países da Europa e da América. Todavia, praticamente todas as alianças firmadas por Reuss fracassaram, não resultando a tão esperada expansão da Ordem e frustrando por completo suas grandes expectativas a respeito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dentro deste contexto, um dos nomes que primeiro aparece é o do notório austríaco Rudolf Steiner (1861-1925), idealizador da Antroposofia. O objetivo deste &lt;span style="font-style: italic;"&gt;post &lt;/span&gt;é exatamente esse: avaliar qual é a relação que une seu nome à &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Ordo Templi Orientis&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As informações acerca da participação do pai da Antroposofia como um membro ativo e proeminente da O.T.O. mais parecem tender ao sensacionalismo do que a realidade. Como de costume, ao que tudo indica a confusão falaciosa começou quando Reuss, numa edição de 1906 de seu &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Oriflamme&lt;/span&gt;, escreveu e publicou o seguinte:&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;blockquote  style="text-align: justify;font-family:verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;O Irmão Dr. Rudolf Steiner, 33°, 95°, de Berlim, e os Irmãos e Irmãs associados a ele, tem permissão de formar em Berlim um Capítulo e um Grande Conselho sob o título de “Mystica Aeterna”. O Dr. Steiner foi nomeado Grande Mestre Deputado com jurisdição sobre os membros já existentes ou a serem recebidos por ele. A Irmã Marie von Sievers (finada esposa de Steiner) foi nomeada Grande Secretária Geral para as Lojas de Adoção (cit. Howe &amp;amp; Möller, 1979:37-38).&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div face="verdana" style="text-align: justify;" align="left"&gt;Por mais impreciso que possa parecer, esse registro foi suficiente para que autores mais afoitos, como Kenneth Grant (1992:12), tanto deduzissem que Reuss teria iniciado Steiner na &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Ordo Templi Orientis&lt;/span&gt;, quanto passaram a repeti-lo como um mestre de Memphis e Misraim e da O.T.O. (Grant, 1992:206). Das elucubrações que a partir daí surgiram, ora é afirmado que Steiner havia, por volta de 1906, constituído uma Loja maçônica irregular chamada Mysteria Mystica Aeterna (Webb, 1989:218) ora, apressadamente, conclui-se que Steiner indiscutivelmente era um ativo e importante membro da &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Ordo Templi Orientis&lt;/span&gt;. Tão importante ele seria que seu nome às vezes é diretamente mencionado como ninguém menos do que o próprio representante de Reuss em Berlim (Wasserman, 1990:94). A mesma nota do &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Oriflamme &lt;/span&gt;acima transcrita, que em um primeiro momento parece estabelecer uma inequívoca conexão entre Steiner e Reuss, levou a afirmações de que aquele haveria sido patenteado justamente para dirigir Lojas dos Templários Orientais, Lojas estas que teriam sido criadas por Steiner para trabalharem como uma espécie de “Maçonaria Oculta”, cujos três primeiros graus eram bem parecidos com os da Maçonaria regular. Seguindo esta linha de pensamento, também se diz que os templos maçônicos na Alemanha sob a direção de Steiner estavam interligados às atividades secretas da O.T.O. desenvolvidas nesse país e que Heinrich Klein e o Dr. Franz Hartmann teriam sido os responsáveis pela entrada, ainda em 1902, de Steiner no tal rito maçônicoocultista secreto (King, 1989:206). Uma outra referência consultada ainda sustenta que Steiner haveria sido bastante criticado por ter recebido e aceito poderes de Reuss para liderar uma Loja da O.T.O. (Ahern, 1984:93).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todavia, uma abordagem mais atenta desvelará uma realidade bastante diferente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img style="width: 179px; height: 294px;" src="http://www.artemagicka.com/blog_cr/rudolf_steiner.jpg" align="left" hspace="5" vspace="5" /&gt;Em 1902, longe de qualquer tipo de filiação a organismos secretos, esotéricos ou para-maçônicos, a participação de Steiner em grupos considerados de natureza ocultista se limitava apenas a Secretaria Geral de uma variação alemã da Sociedade Teosófica, ramificação essa que não estava diretamente vinculada ao movimento de Helena P. Blavatsky. Ocorre que Steiner não era exatamente um Teosofista segundo os moldes da tradição de Adyar. Ele, aliás, nem mesmo tinha bom relacionamento com a londrina Annie Besant (1847-1933), expoente do movimento iniciado por Blavatsky. Posteriormente, foi somente em 1912 que Steiner se uniria a alguns dissidentes da Sociedade Teosófica e fundaria a Sociedade Antroposófica (Howe &amp;amp; Möller, 1979:37-38).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 1906, provavelmente visando expandir sua área de influência e prestígio, Reuss simplesmente toma a iniciativa de escrever para Steiner, nomeando-o 33º e 95º, dando-lhe autorização para fundar o grupo citado na nota do &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Oriflamme&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que deve ser primeiramente observado é que a autorização de Reuss não faz qualquer menção a O.T.O., mínima que seja, limitando-se aos Ritos marginais os quais “liderava”, como o Rito de Memphis e Misraim (o que é percebido graças à graduação citada na nomeação). Depois, ao que tudo indica, Steiner, embora a tenha aceitado, logo em seguida não reagiu muito bem a tal nomeação, ora ignorando-a ora desaprovando completamente a iniciativa de Reuss.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro ponto que merece redobrada atenção é que, afora esta nomeação e a brevíssima nota publicada no &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Oriflamme&lt;/span&gt;, absolutamente nada mais existe que sugira a existência de qualquer contato posterior entre ambos. Até mesmo em contraposição a idéia de que entre eles houvesse vínculos iniciáticos duradouros, é sabido que Steiner, em sua autobiografia, não dá qualquer valor ao curto episódio que envolveu seu nome com o de Reuss. Como se o fato significasse uma nódoa em sua vida mística, o nome do Frater Superior da O.T.O. é caprichosamente mantido fora de seu texto autobiográfico, não sendo citado sequer uma só vez. Muito vagamente, Steiner (2006: 349) se refere a todo o episódio de Memphis e Misraim, O.T.O. e Reuss, mencionado economicamente “um certo grupo” que fazia parte da corrente representada por John Yarker (1833-1913), de onde recebera tão somente uma nomeação formal. No mais, não obstante a esta confessada formalidade, Steiner é extremamente taxativo quanto a qualquer alegada influência da mencionada corrente sobre as atividades por ele desenvolvidas, afirmando sem medir palavras que sua instituição não adotaria definitivamente nada vindo da instituição de Yarker (Steiner, 2006:351). Reproduzindo as palavras de Steiner, ele diz:&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;blockquote  style="text-align: justify;font-family:verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;O fato de mais tarde terem querido obter, em atestados escritos por Marie von Sivers e por mim, em conexão com a instituição histórica de Yarker, o ponto de partida para todo tipo de calúnias, é algo que trata o ridículo com a grimaça do sério a fim de alcançar seu objetivo. [...] enquanto colocávamos nossas assinaturas, eu disse com toda a clareza: "Tudo isso é formalidade, e a instituição que estou lançando não irá adotar &lt;i&gt;nada&lt;/i&gt; da instituição de Yarker".&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: verdana;" align="left"&gt;Enfim, a partir do que aqui foi demonstrado, pode-se chegar a duas conclusões bem óbvias. Primeiro, é mais correto supor que Steiner não cultivava qualquer simpatia e nem sequer conhecia direito Theodor Reuss, além de não manter qualquer ligação com as Ordens por este dirigida (Howe, 1989:89). Depois, quanto à sua suposta participação em Memphis e Misraim, Steiner não desenvolveu qualquer tipo de trabalho maçônico relacionado a este Rito. Pelo contrário, ele até mesmo evitou – propositadamente – qualquer traço do Rito nos trabalhos aos quais esteve à frente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dizer, portanto, que Steiner representava Reuss, seja como líder da O.T.O. em Berlim seja como um braço de Memphis e Misraim é, hoje em dia algo considerado, no mínimo, equivocado. Dito de outro modo, Steiner jamais participou de qualquer atividade relacionada à &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Ordo Templi Orientis&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar de tudo, parece que citar Steiner como destacado iniciado da O.T.O. é algo que continua em voga. Muito possivelmente, a confusão sobre sua participação (bem como a participação de diversos outros importantes nomes do cenário místico mundial) na O.T.O. não seja conseqüência de má fé, mas sim do excessivo afã presente em alguns dos integrantes dos atuais grupos remanescentes desta Ordem. Nesse caso, há muito é sabido que para eles, qualquer demonstração histórica que os contradigam simplesmente não importará, pois prevalecerá sempre a ânsia de mostrar a própria Ordem como um grupo de destacada grandeza. É exatamente isso que tem levado seus integrantes a colori-la profusamente com nomes de personagens de sabido valor, como o de Rudolf Steiner.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-----------------&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;BIBLIOGRAFIA:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;AHREN, Geoffrey. 1984: &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Sun at Midnight&lt;/span&gt;. Wellingborough: Aquarian Press.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;GRANT, Kenneth. 1991: &lt;span style="font-style: italic;"&gt;The Magical Revival&lt;/span&gt;. London: Skoob Books Publishing.&lt;br /&gt;_____. 1992: &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Hecate´s Fountain&lt;/span&gt;. London: Skoob Books Publishing.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;HOWE, Ellic. 1989: “German Occult Groups”. In: CAVENDISH, Richard (ed.) e RHINE, J.B (cons.). &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Encyclopedia of the Unexplained&lt;/span&gt;. London: Arcana, pp 89-92.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;HOWE, Ellic &amp;amp; MÖLLER, Helmut. 1979: “Theodor Reuss – Irregular Freemasonry in Germany, 1900-23”. In: BATHAM, Cyril N. (ed) &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Ars Quatuor Coronatorum – Transactions of Quatuor Coronati Lodge, Vol. 91 for the Year 1978&lt;/span&gt;. Oxfordshire: Burgess &amp;amp; Sons, pp 28-46.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;KING, Francis. 1989: &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Modern Ritual Magic&lt;/span&gt;. Dorset: Prism Press.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;STEINER, Rudolf. 2006: &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Minha Vida&lt;/span&gt;. São Paulo: Ed. Antroposófica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;WASSERMAN, James (aka Ad Veritatem). 1990: “An Introduction to the History of the OTO”. In: BETA, Hymenaeus (Ed.) &lt;span style="font-style: italic;"&gt;The Equinox, Vol. III, nº X&lt;/span&gt;. Maine: Samuel Weiser, pp 87-99.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;WEBB, James. 1989a: “Rosicrucians”. In: CAVENDISH, Richard (ed.) e RHINE, J.B (cons.). &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Encyclopedia of the Unexplained&lt;/span&gt;. London: Arcana, pp 215-218.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Crédito das Imagens:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rudolf Steiner: &lt;a target="_new" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Rudolf_Steiner"&gt;Wikipedia&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7752636458859150445-8822812083656795889?l=orobas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://orobas.blogspot.com/feeds/8822812083656795889/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7752636458859150445&amp;postID=8822812083656795889&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7752636458859150445/posts/default/8822812083656795889'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7752636458859150445/posts/default/8822812083656795889'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://orobas.blogspot.com/2009/01/rudolf-steiner-e-oto.html' title='&gt; Rudolf Steiner e a O.T.O.'/><author><name>Carlos Raposo:</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01056554005348141232</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_Hshd0rmnA8E/R4Eo8LM5OeI/AAAAAAAAAAM/sBMFKnWHgYs/S220/carlos_3x4_01.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7752636458859150445.post-8889933992820400445</id><published>2009-01-14T16:05:00.000-08:00</published><updated>2009-10-06T08:23:22.898-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Biografias'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='História da O.T.O.'/><title type='text'>&gt; Theodor Reuss (1855-1923)</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;por Carlos Raposo&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;Desventurados os pobres de espírito&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;pois debaixo da terra serão o que agora são na Terra.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;(Jorge Luís Borges, em &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Fragmentos de um Evangelho Apócrifo&lt;/span&gt;)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: verdana;" align="left"&gt;&lt;img src="http://www.artemagicka.com/blog_cr/letra_N.gif" heigh="70" width="70" align="left" /&gt;o &lt;a href="http://orobas.blogspot.com/2009/01/carl-kellner-1850-1905.html"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;post &lt;/span&gt;anterior&lt;/a&gt; tive a oportunidade de divulgar algo sobre a pouco conhecida biografia de Carl Kellner, um industrial austríaco às vezes erroneamente citado como o fundador da Ordo Templi Orientis. Agora, apresentarei também um pouco a respeito da vida do verdadeiro fundador dessa Ordem, o angloalemão Theodor Reuss. De imediato, a leitura de ambos esboços biográficos deixará algo muito claro: se aquele era reconhecidamente um notável praticante de yoga, alguém brilhante, além de homem extraordinário e leal, quanto a este o quadro se mostra bastante diferente. Ao mesmo tempo, se vários dos assuntos relacionados a esta Ordem ainda têm a propriedade de causarem divergências, não deixa de ser curiosamente notável verificar que as inúmeras referências historiográficas acerca tanto do caráter quanto do comportamento de Reuss convirjam para uma espécie de ponto comum, uma vez que elas têm se mostrado surpreendentemente parecidas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Filho de pai alemão e mãe inglesa, Reuss nasceu na cidade de Augsburgo, em 28 de junho de 1855. Pouco depois de completar 21 anos, já residindo em Londres, por indicação de um amigo ex-maçom chamado Heinrich Klein (?-1912) Reuss foi recebido e iniciado como Aprendiz na Loja Maçônica Peregrino nº 238, Loja esta que abrigava em seus quadros apenas maçons de ascendência alemã (Howe &amp;amp; Möller, 1979:28).(1)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Considerado um sujeito esquisito, Reuss por vezes se posicionava como um enfático militante da causa comunista (King, 1987:78), característica esta que logo após a sua chegada a Londres o levou a solicitar ingresso na Liga Socialista daquela cidade. Para ser aceito, ele se apresentou disfarçado sob o pseudônimo de Charles Theodore (tradução inglesa de seu nome alemão de batismo) e, querendo se passar como um homem profundamente envolvido nas atividades da extrema esquerda, falsamente se declarou membro de uma associação socialista internacional de trabalhadores dedicada à educação. Deste modo, uma vez admitido na Liga e, de certa forma, graças à inicial credulidade suscitada por sua pompa exibicionista, Reuss foi apontado como uma espécie de secretário de educação, passando a ensinar Inglês aos seus camaradas alemães. Na época, ele também costumava se ostentar como um preclaro cantor lírico, inclusive se dizendo amigo pessoal do extraordinário compositor Richard Wagner (1813-1883). Tão amigos eram que, segundo o próprio Reuss, aquele o havia pessoalmente escolhido para cantar na primeira apresentação pública da ópera &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Parsifal&lt;/span&gt;, ocorrida em 1882 (Howe &amp;amp; Möller, 1979:29).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 1887, agora como escritor, Reuss publica seu primeiro ensaio literário sob o sugestivo título &lt;span style="font-style: italic;"&gt;The Matrimonial Question from an Anarchistic Point of View&lt;/span&gt;. Neste breve texto, ele abertamente se declara comunista (apesar do título do ensaio mencionar anarquista), defensor da revolução social e da total igualdade entre os sexos, bem como se posiciona em defesa da liberdade sexual das mulheres. Numa análise superficial, o texto parece bem interessante, ousado e profundamente vanguardista, mas em última forma ele apenas se mostra como fruto de uma fraude intelectual: mais da metade deste pequenino ensaio assinado por Reuss não passa de uma literal tradução de um capítulo da, esta sim polêmica, obra do crítico social húngaro Max Nordau (1849-1923) intitulada &lt;span style="font-style: italic;"&gt;As Mentiras Convencionais da nossa Sociedade&lt;/span&gt;, originalmente publicada 4 anos antes, em 1883 (Howe &amp;amp; Möller, 1979:30). Em palavras mais claras, a “ousada obra” de Reuss nada mais era senão um crasso plágio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em seguida, o cantor, professor, farmacêutico, escritor, "anarquista comunista" e membro da Liga Socialista Theodor Reuss acabaria por ser o pivô de um pequeno escândalo: ao cantar em um dos muitos encontros da Liga, ele acabou por provocar a desconfiança e a indignação justamente de Eleanor Marx (1855-1898) – filha caçula de Karl Marx (1818-1883) – pois ela, além de achá-lo um cantor de qualidades duvidosas, considerou a canção escolhida de péssimo gosto e bastante ordinária para quem se dizia tanto. A desconfiança de Eleanor fez com que a Liga abrisse uma investigação para saber quem era, na verdade, aquele mau cantor. Após um brevíssimo inquérito, a Liga publicou um violento artigo onde Reuss era desmascarado e exposto como espião (King, 2002:99). Deste modo, agora enfurecida pelo que julgava serem as reais intenções de Reuss, Eleanor logo viria a sumariamente expulsá-lo da Liga, sob a alegação de que ele a haveria traído e fornecido informações tanto para um governo estrangeiro equanto para a imprensa burguesa (Howe &amp;amp; Möller, 1979:29). Embora hoje seja voga afirmar que Reuss, naquela ocasião, exercia secretamente a atividade de espião, sendo um agente pago pelo departamento de inteligência da polícia secreta prussiana para investigar as atividades londrinas da família de Karl Marx (King, 1976:69), as evidências contra Reuss jamais passaram de circunstanciais, não havendo prova conclusiva de que ele realmente fosse qualquer tipo de espião ou agente policial secreto (Howe &amp;amp; Möller, 1979:30). Porém, de certa forma, é correto concluir que nesse período Reuss possuía uma verdadeira obsessão pela família Marx, muito embora isto não signifique que ele tenha sido – propriamente dito – um espião infiltrado. Longe disso, especula-se que uma das principais razões de Reuss para pedir sua admissão na Liga Socialista era a esperança de ingressar na família Marx, através de um bem sucedido casamento com Eleanor, e não meramente para melhor exercer algum tipo de eficaz militância comunista, fazer espionagem ou qualquer outra coisa. Contudo, a grande antipatia da filha de Marx em relação a ele (simplesmente, Eleanor achava Reuss um homem vulgar), logo o faria desistir dessa ideia (King, 2002:99).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Excluído da Maçonaria, expulso da Liga Socialista e definitivamente privado do convívio com a família Marx, com fama de espião e traidor, Reuss, também percebendo que sua carreira de cantor não teria futuro algum,(2) seguiu como escritor, mas também exercendo outras atividades tais como jornalismo ou atuando como publicitário de eventos teatrais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Considerado por alguns como um jovem rico de modos rude e apressado, que não era mesquinho quando se tratava de apoiar propaganda revolucionária, Reuss, de forma evasiva e sem muitos detalhes, dizia que sua fortuna vinha de uma bem favorecida esposa londrina, embora pouco se saiba sobre este seu suposto casamento. Por outro lado, conforme alguns registros, Reuss teria ganhado bastante dinheiro negociando patentes maçônicas (Koenig, 1999:13). A má fama de espião, contudo, forçou-o a deixar Londres (Koenig, 1993:189). Assim, em 1889, Reuss se mudou para Berlim, onde continuou com suas atividades como jornalista e professor de Inglês. Depois, conforme o próprio Reuss alega, quando de sua permanência nesta cidade, ele teria sido um importante delegado do ramo alemão da Sociedade Teosófica,(3) tendo conhecido pessoalmente sua famosa fundadora, a russa Helena P. Blavatsky (Howe &amp;amp; Möller, 1979:30).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img src="http://www.lashtal.com/gallery/albums/userpics/12182/Theodore_Reuss.jpg" heigh="308" vspace="5" width="154" align="right" hspace="5" /&gt;Talvez este tivesse sido o início da carreira de Reuss como ocultista o que viria, mais tarde, levá-lo a conhecer o também ocultista, praticante de hipnotismo, espiritualista e ator Leopold Engel (1858-1931)(4) e, principalmente, o industrial Carl Kellner. Com aquele, Reuss pretendeu dar novo alento a Ordem dos Iluminados (a &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Ordo Illuminati&lt;/span&gt;),(5) organização criada por volta de 1776 por Adam Weishaupt (1748-1830), e, a partir do contato com Kellner, Reuss ingressou em um pequeno círculo de praticantes de yoga, cujos ensinamentos o levaram, logo após a morte do austríaco, a idealizar e fundar a sua &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Ordo Templi Orientis&lt;/span&gt;. Entretanto, a amizade com Engel não duraria muito. Por volta de 1901, este acusaria Reuss de ser um completo farsante e romperia qualquer vínculo com o mesmo (Koenig, 1993:188).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além destas duas Ordens, a partir de 1902, Reuss também fundaria uma fantástica série de outras Ordens esotéricas e pseudomaçônicas, muitas das quais apenas existiram como um nome a ser citado. Ao mesmo tempo, ele iniciou uma série de contatos, visando a promoção das Ordens as quais dizia ter representação, patenteando e sendo patenteado por diversas personalidades do mundo ocultista europeu e americano. Ocupando a posição de líder supremo e vitalício da O.T.O., bem como de uma série de outras organizações místicas, Reuss assim seguiu, até 1923, quando veio a falecer, sem designar explicitamente qualquer nome como herdeiro legítimo da sua principal criação, a &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Ordo Templi Orientis&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ás conexões amplamente questionáveis de Reuss, suas preferências políticas suspeitas, desconfiança de espionagem, comércio de patentes, fama de plagiador, criação indiscriminada de supostas Ordens ocultas, seu comportamento dissimulado quando perguntado sobre si mesmo e a tendência rocambolesca de criar falsas notícias, tudo isso acabou por construir nele a imagem de alguém simplesmente a ser evitado. De modo seco e quase que exaustivamente repetitivo, Reuss é, de modo direto, descrito pela historiografia como réles empresário do oculto (Webb, 1989:98), pessoa pouco confiável (Howe &amp;amp; Möller, 1979:29), meramente alguém a ser taxado como um pitoresco ocultista alemão, maçom marginal e aventureiro (McIntosh, 1988:173), negociante de graus (Gilbert, 1996:135) ou até mesmo rotulado como maçom charlatão que presumivelmente usava a Maçonaria apenas para seus próprios fins, vivendo às custas da credulidade alheia (&lt;span style="font-style: italic;"&gt;cit.&lt;/span&gt; Howe &amp;amp; Möller, 1979:44). Até mesmo Aleister Crowley considerava Reuss um sujeito de temperamento incerto e não confiável (&lt;span style="font-style: italic;"&gt;cit.&lt;/span&gt; Scriven, 2001: 220), que no final de sua vida emitia patentes, a torto e a direito, a qualquer um que se dispusesse a pagar por elas (&lt;span style="font-style: italic;"&gt;cit.&lt;/span&gt; Koenig, 1994b:43).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Resumidamente, esse era Theodor Reuss, o fundador da &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Ordo Templi Orientis&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Registre-se que, atualmente, devido unicamente aos fatos pertinentes a sua biografia, tão fortemente questionável é a não convincente personalidade de Reuss, que os membros da O.T.O. simplesmente tendem a citá-lo &lt;span style="font-style: italic;"&gt;an passant&lt;/span&gt;, ora como um maçom de altíssimo grau ora como um dos líderes que haveriam pertencido a uma espécie de “fase maçônica” da Ordem. Concomitantemente, graças à débil confiança gerada pelo seu caráter, há hoje a nítida tendência dos membros da O.T.O. de desviarem a fundação da Ordem do nome de Theodor Reuss, associando-a a um nome de maior respeitabilidade como o de Carl Kellner. No entanto, ante a imperiosa dificuldade de sustentá-lo como fundador, a alternativa tem sido imputar a Kellner a gasosa condição de “Pai Espiritual” da Ordem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Finalmente, registre-se também o inglório esforço de se construir em Reuss a imagem de alguém a se idolatrar. Não por menos que os membros da O.T.O. citam-no como um “Santo” (Scriven, 2001: 218), ou seja, alguém a quem se deve adoração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-----------------&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;NOTAS&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;1) Conforme os Balaústres da Loja em questão, Reuss, apontado como farmacêutico, foi descrito como um “jovem homem de negócios de Augsburgo”. Ele foi iniciado em 8 de novembro de 1876, sendo elevado ao grau de Companheiro em 8 de maio de 1877. Finalmente, em 9 de janeiro de 1878, Reuss era exaltado ao grau de Mestre Maçom. Em 1º de outubro de 1880, entretanto, possivelmente por não honrar seus compromissos com a Loja, Reuss simplesmente foi excluído Maçonaria (Howe &amp;amp; Möller, 1979:28). Estes breves anos encerram toda a experiência maçônica regular de Theodor Reuss. Sobre Heinrich Klein, sua carreira maçônica também foi bem curta. Ele entrou na Ordem em 1872, saindo em 1874, antes mesmo dele supostamente indicar Reuss à Maçonaria (cit. Howe &amp;amp; Möller, 1979:45).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2) Reuss teve sua carreira de cantor interrompida cedo, devido à súbita perda da voz. Segundo Koenig (1993:187), rumores sugerem que esse problema teria sido conseqüência dele ter contraído sífilis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3) Reuss aparece, junto com Leopold Engel, Dr. Franz Hartmann e outros, como co-fundador da Sociedade Teosófica na Alemanha (Koenig, 1995:208).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;4) Posteriormente, em 1896, Engel e outros associados fundaram a Sociedade dos Ocultistas Alemãs (Koenig, 1995:208).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;5) Um dos membros mais notáveis da Ordo Illuminati de Engel e Reuss foi o renomado escritor austríaco Gustav Meyrink (1868-1932), autor de obras como, entre tantas, O Golem (Koenig, 1994a:59).&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;-----------------&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BIBLIOGRAFIA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;GILBERT, Robert. A. 1996: “Chaos out of Order: the Rise and Fall of th Swedenborgian Rite”. In: GILBERT, Robert A. (ed). &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Ars Quatuor Coronatorum – Transactions of Quatuor Coronati Lodge, Vol. 108 for the Year 1995&lt;/span&gt;. Frome and London: Butler &amp;amp; Tanner, pp 122-149.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;HOWE, Ellic &amp;amp; MÖLLER, Helmut. 1979: “Theodor Reuss – Irregular Freemasonry in Germany, 1900-23”. In: BATHAM, Cyril N. (ed). &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Ars Quatuor Coronatorum – Transactions of Quatuor Coronati Lodge, Vol. 91 for the Year 1978&lt;/span&gt;. Oxfordshire: Burgess &amp;amp; Sons, pp 28-46.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;KING, Francis. 1976: &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Satan and Swastika&lt;/span&gt;. London: Mayflower Books.&lt;br /&gt;_____. 1987: &lt;span style="font-style: italic;"&gt;The Magical Word of Aleister Crowley&lt;/span&gt;. London: Arrow Books.&lt;br /&gt;_____. 2002: &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Sexuality, Magic &amp;amp; Perversion&lt;/span&gt;. Los Angeles: Feral House.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;KOENIG, Peter-Robert. 1993: “Theodor Reuss as Founder of Esoteric Orders”. In:  SANTUCCI, James. (ed.) &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Theosophical History, vol. IV, nº 6-7 (April - July, 1993)&lt;/span&gt;, pp. 187-193.&lt;br /&gt;_____. 1994a: &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Das OTO-Phänomen&lt;/span&gt;. München: AWR.&lt;br /&gt;_____. 1994b: &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Materialien zum OTO&lt;/span&gt;. München: AWR.&lt;br /&gt;_____. 1995: “Illuminati and Templars”. In: SANTUCCI, James (ed). T&lt;span style="font-style: italic;"&gt;heosophical History, vol.V, nº 6 (April, 1995)&lt;/span&gt;, pp. 208-212.&lt;br /&gt;_____. 1999: “Introduction”. In: NAYLOR, Anton R. (Ed.). &lt;span style="font-style: italic;"&gt;O.T.O. Rituals and Sex Magick&lt;/span&gt;. Thame: I-H-O Books; pp. 13-61.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;McINTOSH, Christopher. 1988: &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Los Rosacruces&lt;/span&gt;. Madrid: EDAF.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;SCRIVEN, David (aka Tau Apiryon). 2001: “Portraits of the Saints of the Gnostic Catholic Church”. In: CORNELIUS, J. Edward (Ed) e CORNELIUS, Marlene (Ed). &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Red Flame - A Thelemic Research Journal, nº 2&lt;/span&gt;. Berkely: Red Flame Productions, pp 117-224.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;WEBB, James. 1989: “Rosicrucians”. In: CAVENDISH, Richard (ed.) e RHINE, J.B (cons.). &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Encyclopedia of the Unexplained&lt;/span&gt;. London: Arcana, pp 215-218.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Crédito das Imagens:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Theodor Reuss: &lt;a target="_new" href="http://www.lashtal.com/"&gt;LaShtAl.com&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7752636458859150445-8889933992820400445?l=orobas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://orobas.blogspot.com/feeds/8889933992820400445/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7752636458859150445&amp;postID=8889933992820400445&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7752636458859150445/posts/default/8889933992820400445'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7752636458859150445/posts/default/8889933992820400445'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://orobas.blogspot.com/2009/01/theodor-reuss-1855-1923.html' title='&gt; Theodor Reuss (1855-1923)'/><author><name>Carlos Raposo:</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01056554005348141232</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_Hshd0rmnA8E/R4Eo8LM5OeI/AAAAAAAAAAM/sBMFKnWHgYs/S220/carlos_3x4_01.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7752636458859150445.post-5325802538081345008</id><published>2009-01-07T13:55:00.000-08:00</published><updated>2011-03-15T15:20:18.362-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Biografias'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='História da O.T.O.'/><title type='text'>&gt; Carl Kellner (1850-1905)</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;por Carlos Raposo&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;br /&gt;No segundo livro da&lt;/span&gt; República,&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Platão descreve a educação que deve ser dada aos guardiães do Estado. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Ele prevê "a ginástica para o corpo e a música para a alma". &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Mas a música "comporta discursos", que podem ser "ou verdadeiros, ou falsos". &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;A falsidade deve ser extirpada a partir da primeira infância.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;(Carlo Ginzburg, em &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Olhos de Madeira&lt;/span&gt;)&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: verdana;" align="left"&gt;&lt;img src="http://www.artemagicka.com/blog_cr/letra_I.gif" heigh="70" align="left" width="70" /&gt;nicialmente, valerá dizer que ainda não são muitas as fontes a propiciarem dados de boa qualidade e confiáveis a respeito de Carl Kellner. Seja observado que, atualmente, essa carência de documentação nos leva a duas perspectivas bem distintas. A primeira delas é a proliferação de um certo monturo de informações, cuja finalidade principal é construir e reforçar a imagem Kellner ora como fundador ora como “pai espiritual” da Ordo Templi Orientis. Já a segunda, bem menos comprometida com construções meramente ideológicas e proselitistas, simplesmente aponta para um campo aberto da história do ocultismo mundial, praticamente inexplorado. É com essa última perspectiva que o presente texto está alinhado. Por conseguinte, aqui pretendo apenas traçar, a partir de material selecionado com cuidado (ver &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Bibliografia&lt;/span&gt;), um brevíssimo esboço biográfico de Carl Kellner, visando apresentá-lo de um modo mais apropriado, não sob o ponto de vista mítico, mas sim histórico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sabe-se que ele nasceu na cidade de Viena, todavia, as fontes divergem até mesmo quanto ao seu ano de nascimento, ora apontando 1850 (Howe &amp;amp; Möller, 1979:30) ora 1851 (Koenig, 1992:93).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De origem modesta, desde bem cedo freqüentou vários laboratórios, os quais o habilitaram para exercer a profissão de químico. Já aos 22 anos de idade, graças ao seu conhecimento e brilhantismo, Kellner se mostrava um inventor de grande criatividade, galgando rápido sucesso. Uma série de experimentos o levaria a várias descobertas em sua área de atuação profissional, permitindo-lhe revolucionar a tecnologia de produção de papel e se tornar um expoente na indústria química de sua região de origem.(1) Kellner, costumeiramente descrito como um gênio, um homem extraordinário (Koenig, 1999:13) e bem versátil, era uma pessoa inventiva e vívida, de ótima agudeza intelectual que, em paralelo à sua profissão, também cultivava interesse em alquimia e yoga.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nas imprecisas palavras de Theodor Reuss (1855-1923), Kellner também tinha profundo interesse em assuntos relacionados seja à maçonaria seja à magia sexual.(2) Contudo, no que diz respeito à Maçonaria, apesar de ter sido iniciado nesta Ordem, na Loja Húngara &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Humanitas&lt;/span&gt;, o austríaco permaneceria por pouco tempo nela, não passando além do grau de Aprendiz Maçom.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img src="http://user.cyberlink.ch/%7Ekoenig/sunrise/kellner.gif" heigh="140" align="right" hspace="5" vspace="5" width="140" /&gt;Especificamente em relação ao yoga, tamanho era seu interesse que, ao final do século XIX, Kellner era reconhecidamente um dos únicos europeus com detalhado conhecimento sobre teoria e prática desta disciplina. Tão proeminente era seu conhecimento sobre a matéria, que isto acabou por levá-lo a elaborar um pequeno tratado, acerca das influências psicológicas e fisiológicas que a prática do yoga exercia sobre o ser humano. Este trabalho foi apresentado no Terceiro Congresso Internacional de Psicologia, sediado em Munique, em 1896 (Howe &amp;amp; Möller, 1979:30). Depois, o estudo sobre yoga de Kellner também foi publicado em inglês, com o título de Yoga: A&lt;span style="font-style: italic;"&gt; Draft on the Psychophysiological Aspect of the Ancient Yoga Doutrine&lt;/span&gt;. Bem posteriormente a sua morte, Crowley o relacionou como uma das “instruções oficiais da O.T.O.”, onde o estudo é apresentado como sendo de autoria de um certo Irmão Renatus (Crowley, 1997:485). &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Renatus &lt;/span&gt;havia sido o mote adotado por Kellner quando Aprendiz Maçom e a partir daí, algumas ramificações da O.T.O. passaram a adotar este nome como divisa mágica de Kellner, passando a frequentemente citá-lo como Frater Renatus Xº, O.T.O. – entretanto, como já demonstrado em outro &lt;span style="font-style: italic;"&gt;post&lt;/span&gt;, não há qualquer relação direta entre a O.T.O. e Kellner (ver &lt;a target="_new" href="http://orobas.blogspot.com/2009/01/origens-manicas-da-oto.html"&gt;Origens Maçônicas da O.T.O.&lt;/a&gt;).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conforme alguns acreditam (Grant, 1991:121 e Scriven, 2001:212), os interesses paralelos de Kellner também acabariam por levá-lo a empreender viagens pelo Oriente. Em uma delas, ele findaria estabelecendo contato com certos mestres da tradição oriental, adeptos que viriam a se tornar seus instrutores e gurus. Ainda segundo esta perspectiva, os adeptos orientais eram dois hindus de nomes Bhima Sen Pratap e Sri Mahatma Agamya Paramahamsa, e um árabe adepto do sufismo e da magia chamado Soliman bem Aifa, todos versados nas mais diversas doutrinas místicas do oriente. Assim, estes mestres, também adeptos tântricos orientais do Vama Marga, teriam iniciado Kellner nos mistérios da magia sexual (Grant, 1992a:72).(3) Acrescente-se que absolutamente nada se sabe a respeitos de pelo menos dois destes três supostos gurus de Kellner.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img src="http://www.artemagicka.com/blog_cr/hartmann01.jpg" heigh="308" align="left" hspace="5" vspace="5" width="154" /&gt;Contudo, as supostas viandanças de Kellner pelas terras do Oriente não encerra o assunto sobre seu conhecimento a respeito do misticismo oriental. Ocorre que seu interesse pelo oculto também o levaria a se aproximar da teosofia, onde encontra e estabelece estreita amizade com o famoso Dr. Franz Hartmann (1838-1912), eminente teósofo, amigo e confidente da notória Madame Blavatsky (1831-1891). Foi justamente por intermédio do Dr. Hartmann, que Kellner passou a freqüentar a Sociedade Teosófica. Recentemente, o interessante artigo de Joseph Dvorak sobre Kellner vem sugerir que nesta ocasião é o Dr. Hartmann quem lhe teria apresentado – na Europa – o instrutor Sri Mahatma Agamya Paramahamsa. O mesmo artigo também nos dá conta do contato direto que Kellner teve com ninguém menos do que o erudito filologista e orientalista alemão Friedrich Max Müller (1823-1900), responsável por uma das mais completas e impressionantes obras já publicadas no Ocidente sobre as doutrinas religiosas do Oriente, o monumental &lt;span style="font-style: italic;"&gt;The Sacred Books of the East&lt;/span&gt;, em 50 volumes. Ao mesmo tempo, há significativos indícios de que Kellner também estaria em contato direto com alguns membros europeus de uma obscura sociedade denominada &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Brotherhood of Eulis&lt;/span&gt; (King, 2002:97) e com seguidores do afamado e brilhante Pascal Beverly Randolph (1825-1875).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essas últimas informações a respeito de Carl Kellner, quais sejam, sua amizade com Hartmann, seu contato com Max Muller e sua possível associação com os discípulos europeus de Randolph,(4) lançam novas luzes sobre como teria sido a sua formação, permitindo que sejam traçadas as possíveis verdadeiras fontes do conhecimento místico a ele atribuído. Em outras palavras, atualmente, a alegada viagem de Kellner pelo Oriente tende mais a ser considerada mera epopeia mítica que nem de longe corresponderia à verdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Continuando, o mútuo interesse profissional na área médica e química faz com que ambos, Kellner e Hartmann, colaborem de forma decisiva no desenvolvimento de uma inovadora terapia de inalação, para o tratamento de tuberculose, técnica empregada com relativo sucesso no hospital dirigido por este último.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 1895, já com larga experiência na prática do yoga, Kellner resolve trabalhar com um pequeno, bem seleto e extremamente reservado círculo de praticantes, dando ênfase tanto ao Hatha Yoga quanto a exercícios tântricos (Koenig, 1999:13). Não há, todavia, registros que indiquem a respeito de qualquer tipo de Ordem montada a partir deste reduzido e muito discreto grupo de praticantes de yoga.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em novembro de 1904, Reuss publica no seu &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Oriflamme&lt;/span&gt;, em nota especificamente direcionada a quem ele chama de Pupilos do Círculo Oculto, que “nosso amado líder, Frater Carl Kellner, encontra-se severamente doente”. Em seguida, Reuss convoca todos os membros daquele Círculo Oculto a dedicarem suas preces e meditações diárias à franca recuperação de Kellner.(5)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Finalmente, em março de 1905, Kellner, que estava no Egito tentando se recuperar de uma enfermidade, volta para a Áustria. Já em Viena, ele falece no dia 7 de junho deste mesmo ano. Seu atestado de óbito oficialmente declara que a &lt;span style="font-style: italic;"&gt;causa mortis&lt;/span&gt; foi “envenenamento do sangue” (Howe &amp;amp; Möller, 1979:36). Contudo, uma curiosa questão permanece: por que havia veneno em seu sangue? O desconhecimento sobre o que realmente aconteceu a Kellner tem levado a elucubrações curiosas como, por exemplo, dizer que forças malignas foram atraídas para “frater Renatus”, graças aos exercícios ocultos praticados por ele (cit. Howe &amp;amp; Möller, 1979:38).(6)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Elucubrações do além à parte, certamente a vida de Carl Kellner ainda é um campo a ser explorado. Espero que o presente artigo sirva de ponto de partida para os que apostam na plausibilidade de sua biografia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De minha parte, isso é apenas um início.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;BIBLIOGRAFIA&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;CROWLEY, Aleister. 1997: &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Magick - Book 4 – Liber ABA&lt;/span&gt; (second revised edition). Edited by Hymenaeus Beta (i.e. William Breeze). Maine: Samuel Weiser.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;DVORAK, Joseph. &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Carl Kellner&lt;/span&gt;. Versão inglesa em &lt;a target="_new" href="http://parareligion.ch//sunrise/kellner.htm"&gt;http://parareligion.ch//sunrise/kellner.htm&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Friedrich Max Müller&lt;/span&gt; – Artigo biográfico: &lt;a target="_new" href="http://en.wikipedia.org/wiki/Max_Muller"&gt;http://en.wikipedia.org/wiki/Max_Muller&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;GRANT, Kenneth. 1991: &lt;span style="font-style: italic;"&gt;The Magical Revival&lt;/span&gt;. London: Skoob Books Publishing.&lt;br /&gt;_____. 1992: &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Aleister Crowley and the Hidden God&lt;/span&gt;. London: Skoob Books Publishing.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;HOWE, Ellic &amp;amp; MÖLLER, Helmut. 1979: “Theodor Reuss – Irregular Freemasonry in Germany, 1900-23”. In: BATHAM, Cyril N. (ed). &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Ars Quatuor Coronatorum – Transactions of Quatuor Coronati Lodge, Vol. 91 for the Year 1978&lt;/span&gt;. Oxfordshire: Burgess &amp;amp; Sons, pp 28-46.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;KOENIG, Peter-Robert. 1992: “The OTO Phenomenon”. In: SANTUCCI, James. (ed.) &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Theosophical History, vol. IV, nº 3 (July, 1992) &lt;/span&gt;, pp. 92-98.&lt;br /&gt;_____. 1994: &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Das OTO-Phänomen&lt;/span&gt;. München: AWR.&lt;br /&gt;_____. 1999: “Introduction”. In: NAYLOR, Anton R (Ed.). &lt;span style="font-style: italic;"&gt;O.T.O. Rituals and Sex Magick&lt;/span&gt;. Thame: I-H-O Books; pp. 13-61.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;KING, Francis. 2002: &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Sexuality, Magic &amp;amp; Perversion&lt;/span&gt;. Los Angeles: Feral House.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;SCRIVEN, David (&lt;span style="font-style: italic;"&gt;i.e.&lt;/span&gt; Tau Apiryon). 2001: “Portraits of the Saints of the Gnostic Catholic Church”. In: CORNELIUS, J. Edward (Ed) e CORNELIUS, Marlene (Ed). &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Red Flame - A Thelemic Research Journal, nº 2&lt;/span&gt;. Berkely: Red Flame Productions, pp 117-224.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Crédito das Imagens:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Franz Hartmann: &lt;a target="_new" href="http://www.lashtal.com/"&gt;LaShtAl.com&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Carl Kellner: &lt;a target="_new" href="http://parareligion.ch/"&gt;The O.T.O. Phenomenon&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;-----------------&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;NOTAS&lt;/span&gt;:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div  style="text-align: left;font-family:verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;1) Boa parte das informações sobre Kellner a respeito de sua profissão como químico, bem como sobre sua atuação na industria de celulose, foram originariamente apresentadas num compêndio de biografias, chamado &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Österreichisches Biographisches Lexicon, 1815-1850&lt;/span&gt;, publicado em 1965 (cit. Koenig, 1994:25).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2) Ver artigo Carl Kellner (aqui indicado na &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Bibliografia&lt;/span&gt;), de Josef Dvorak no site de Peter-R. Koenig.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3) As informações da suposta saga de Carl Kellner pelo Oriente, bem como o contato com os citados três adeptos, são originárias do livro &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Weisse und Schwarze Magie&lt;/span&gt; ("Magia Branca e Negra"), publicado no ano de 1912 em Berlim, por Jean Paar (cit. Koenig, 1994a:25). Em decorrência das práticas místicas adotadas por Kellner, Paar, de modo bem pejorativo, o classifica como adepto da magia negra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;4) Assunto esse que será oportunamente abordado aqui em “Orobas”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;5) Ressalte-se que, dada a tendência de Reuss de criar factoides, há uma boa possibilidade de não existir qualquer tipo de “Círculo Oculto”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;6) O boato também tem origem em Jean Paar (ver nota nº 3), que credita às hordas de espíritos infernais a completa ruína da saúde, e consequente morte, de Kellner (cit. Koenig, 1994a:25).&lt;br /&gt;---------------&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7752636458859150445-5325802538081345008?l=orobas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://orobas.blogspot.com/feeds/5325802538081345008/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7752636458859150445&amp;postID=5325802538081345008&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7752636458859150445/posts/default/5325802538081345008'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7752636458859150445/posts/default/5325802538081345008'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://orobas.blogspot.com/2009/01/carl-kellner-1850-1905.html' title='&gt; Carl Kellner (1850-1905)'/><author><name>Carlos Raposo:</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01056554005348141232</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_Hshd0rmnA8E/R4Eo8LM5OeI/AAAAAAAAAAM/sBMFKnWHgYs/S220/carlos_3x4_01.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7752636458859150445.post-2677933735916713385</id><published>2009-01-02T04:49:00.000-08:00</published><updated>2011-03-15T15:23:29.084-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='História da O.T.O.'/><title type='text'>&gt; Origens Maçônicas da O.T.O.</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;por Carlos Raposo&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;br /&gt;Consideramos que a invenção de tradições&lt;br /&gt;é essencialmente um processo de formalização e ritualização,&lt;br /&gt;caracterizado por referir-se ao passado,&lt;br /&gt;mesmo que apenas pela imposição da repetição.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;(Eric Hobsbawm em, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;A Invenção das Tradições&lt;/span&gt;)&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: verdana;"&gt;&lt;img src="http://www.artemagicka.com/blog_cr/letra_N.gif" heigh="70" align="left" width="70" /&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;a construção que se procura fazer do passado histórico das Ordens iniciáticas é muito comum encontrarmos toda sorte de informações fictícias propositalmente dispostas para dar um ar de antiguidade, de grandeza e de glória ao próprio passado. Assim, apenas como exemplos rasteiros, chegaram a creditar a Adão a origem da Maçonaria, aos egípcios a da Rosacruz e aos hiperbóreos e atlantes a da Grande Fraternidade Branca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Excessos à parte, no caso do debate que procura traçar as origens da O.T.O., um ponto parece há muito estabelecido: são maçônicas. Gostaria de adicionar aqui alguns elementos sob o ponto de vista histórico. Espero com isso enriquecer um pouco o debate que repensa sadiamente tais origens.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Inicialmente, aponta-se para duas figuras fundadoras, tidas como centrais na história do surgimento da O.T.O.: Carl Kellner (1851-1905) e Theodor Reuss (1855-1923). Ao mesmo tempo, coube ao ritmo natural que cria as retrospectivas míticas repeti-los como "Maçons de alto grau", sendo até mesmo atribuído a Kellner a fundação de uma sublime Academia Maçônica da qual fariam parte tanto mulheres quanto maçons altamente ranqueados. Repetindo a ode divulgada pelo senso comum, caberia a essa Academia - conduzida por Reuss após a morte de Kellner - a transmissão de alguns segredos de natureza maçônica e místico-sexuais, cujas bases serviriam de alicerce para a Ordo Templi Orientis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por agora, limitarei o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;post&lt;/span&gt; a esses dois personagens, bem como sobre a exitência da Academia Maçônica de Kellner.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img src="http://user.cyberlink.ch/%7Ekoenig/sunrise/kellner.gif" heigh="140" align="right" hspace="5" vspace="5" width="140" /&gt;A respeito de Carl Kellner, praticamente todas as referências bibliográficas que encontrei o situam como alguém brilhante. Era empresário, industrial, inventor, intelectual, culto, etc. Em relação à Maçonaria, contudo, a referência mais segura que se tem demonstra que ele teria sido tão somente iniciado em uma Loja Húngara chamada Humanitas, que abrigava parte da nata intelectual daquela região. Em suma, relacionado à Arte Real, comprova-se que Kellner fora Aprendiz Maçom e nada mais. Ressalve-se que, a revelia dele não ter seguido qualquer carreira Maçônica (nem oficial e nem marginal, nem regularmente e nem irregularmente), sendo somente Aprendiz Maçom, isso não fez dele alguém melhor ou pior. Kellner sempre foi um sujeito bastante respeitado e admirado nos círculos que frequentou. Ao mesmo tempo, as mesmas referências indicam que Kellner possuía um grande conhecimento teórico e prático sobre o Yoga, sendo reconhecido como um dos primeiros ocidentais a ter domínio nessa prática. Assim, se por um lado, talvez por puro desinteresse no tema, Kellner tenha se mantido distante da Maçonaria; por outro, são numerosas as citações que apontam para uma aproximação grande sua em relação ao Yoga. Em outras palavras, o interesse de Kellner era o Yoga e não a Maçonaria. Desse modo, uma vez que o próprio Kellner nem possuía grau maçônico alto e nem mesmo sequer possuía interesse na Maçonaria, é um equívoco supor que ele tenha planejado uma "Academia Maçônica" voltada para Maçons de alto grau, como base para qualquer Ordem vindoura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img src="http://www.freemasonry.bcy.ca/biography/esoterica/images/reuss_t.jpg" heigh="140" align="left" hspace="5" vspace="5" width="140" /&gt;Por sua vez, Theodor Reuss, quando residia em Londres, por indicação de um amigo ex-maçom chamado Heinrich Klein, foi recebido e iniciado como Aprendiz na Loja Maçônica Peregrino nº 238. Conforme fontes Maçônicas que tiveram acesso aos Balaústres da referida Loja, Reuss, apontado como farmacêutico, foi descrito como um "jovem homem de negócios de Augsburgo". Ele foi iniciado na Maçonaria Simbólica em 8 de novembro de 1876 e elevado ao grau de Companheiro em 8 de maio de 1877. Finalmente, em 9 de janeiro de 1878, Reuss era exaltado ao grau de Mestre Maçom. Em 1º de outubro de 1880, entretanto, possivelmente por não honrar seus compromissos com sua Loja, Reuss simplesmente foi definitivamente excluído desse Corpo Maçônico. Em seguida, graças a algumas aventuras rocambolescas que lhe renderiam péssima reputação (suspeita de espionagem, criador de factoides e enriquecimento através de comércio de patentes maçônicas, entre tantas outras "atividades"), Reuss fugiria de Londres e jamais entraria novamente em qualquer Corpo Maçônico regular. Seja dito que a partir daí, Reuss estabelece uma série de conexões que lhe renderiam uma quantidade fantasticamente incrível de títulos místicos-maçônicos-iniciáticos-esotéricos-etc. Para ser ter uma leve ideia da fleuma de Reuss, mesmo muito depois de ser afastado de sua Loja Simbólica, ele costumava &lt;i&gt;resumidamente&lt;/i&gt; se descrever como “Soberano Grão Mestre Geral &lt;span style="font-style: italic;"&gt;ad vitam &lt;/span&gt;das Ordens Maçônicas Unidas da Escócia, de Memphis e Misraim, e de todo Reich Alemão, Soberano Grande Comendador, Grande Absoluto Soberano, Pontífice Soberano, Soberano Grão Mestre dos maçons da O.T.O., Supremo Magus Soc. Frat. R.C., SI, 33º, Termaximus Regens I.O. (i.e., Illuminatorum Ordo), etc".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda no que concerne à Academia Maçônica atribuída a Kellner, um pequeno &lt;i&gt;addendum&lt;/i&gt; deve aqui ser feito: não deixa de ser curioso que absolutamente tudo que se saiba a respeito dessa Academia tenha origem justamente na pouco confiável palavra de Reuss.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em suma, de tudo isso e tão somente a partir da documentação existente e do perfil tanto de Kellner quanto de Reuss, podemos inferir que:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sobre Kellner:&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Em termos de Maçonaria regular, Carl Kellner foi Aprendiz Maçom;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Não existe sequer um único indício seguro de que Kellner tenha fundado  ou sequer planejado qualquer tipo de "Academia Maçônica". Possivelmente, ela não passa de um factoide criado por Reuss;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Kellner jamais pretendeu transmitir algo que requereria "um conhecimento prévio de alguns segredos maçônicos", mas, como demonstram seus textos, transmitir algum conhecimento teórico e prático de Yoga;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Não existe relação direta alguma entre Kellner e a Ordo Templi Orientis;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;A respeito de Reuss:&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Theodor Reuss, conforme a Maçonaria regular, chegou ao grau três, Mestre Maçom. Porém, foi excluído de sua Loja Simbólica e, a partir de então, jamais frequentou qualquer outro Corpo Maçônico Regular. Já quanto a maçonaria marginal (marginal no sentido da palavra inglesa "fringe"), Reuss foi grau máximo de "uma centena" de ritos, titulações sempre obtidas através de trocas ou comércio de patentes.&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;A Ordo Templi Orientis é uma criação exclusiva de Reuss e é posterior a Kellner (muito embora alguns outros nomes – mas não Kellner – tenham incidentalmente participado como coadjuvantes menores nos primeiros anos da O.T.O.).&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Para quem quiser pesquisas que demonstrem com mais precisão o que acima foi apresentado, sugiro a leitura de:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- "Theodor Reuss - Irregular Freemasonry in Germany, 1900-23" por Ellic Howe, 33° - Originalmente publicado em &lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-size:100%;" &gt;Ars Quatuor Coronatorum - the Transactions of Quatuor Coronati Lodge No. 2076&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;, UGLE in Volume 91 for the year 1978, p. 28. Versão on-line: &lt;a href="http://freemasonry.bcy.ca/aqc/reuss/reuss.html" target="_new"&gt;http://freemasonry.bcy.ca/aqc/reuss/reuss.html&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- "Fringe Masonry in England 1870-85" por Ellic Howe, 33° - Originalmente publicado em &lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-size:100%;" &gt;Ars Quatuor Coronatorum, the Transactions of Quatuor Coronati Lodge No. 2076&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;, UGLE in Volume 85 for the year 1972, p. 242. Versão on-line: &lt;a href="http://freemasonry.bcy.ca/aqc/fringe/fringe.html" target="_new"&gt;http://freemasonry.bcy.ca/aqc/fringe/fringe.html&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- &lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-size:100%;" &gt;Carl Kellner: Never a member of any O.T.O.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;; Por Peter Koenig - &lt;a href="http://www.parareligion.ch/sunrise/ck.htm" target="_new"&gt;http://www.parareligion.ch/sunrise/ck.htm&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dois outros textos meus disponibilizados aqui em &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Orobas&lt;/span&gt; ajudarão bastante a conhecer as vidas de Kellner e Reuss:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- &lt;a href="http://orobas.blogspot.com/2009/01/carl-kellner-1850-1905.html"&gt;Carl Kellner (1850-1905)&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;- &lt;a href="http://orobas.blogspot.com/2009/01/theodor-reuss-1855-1923.html"&gt;Theodor Reuss (1855-1923)&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Creio que a leitura desses textos ajudará a esclarecer vários pontos ainda nebulosos desta história.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por último, valerá dizer que, evidentemente, o que expus acima é algo bastante resumido, que está muito longe de fechar o assunto. Contudo, creio que no momento, o que foi apresentado basta para o fim que me propus: quem tiver um legítimo interesse nas supostas origens maçônicas da O.T.O. necessita seriamente repensar o que é repetido a respeito pelo senso comum.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Abraços a todos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ps.: este post é uma adequação de uma mensagem originalmente enviada por mim para as listas ex-OTO e Thelema-br.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Crédito das imagens:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Kellner e Reuss: &lt;a href="http://www.parareligion.ch/" target="_new"&gt;The O.T.O. Phenomenon&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7752636458859150445-2677933735916713385?l=orobas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://orobas.blogspot.com/feeds/2677933735916713385/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7752636458859150445&amp;postID=2677933735916713385&amp;isPopup=true' title='14 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7752636458859150445/posts/default/2677933735916713385'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7752636458859150445/posts/default/2677933735916713385'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://orobas.blogspot.com/2009/01/origens-manicas-da-oto.html' title='&gt; Origens Maçônicas da O.T.O.'/><author><name>Carlos Raposo:</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01056554005348141232</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_Hshd0rmnA8E/R4Eo8LM5OeI/AAAAAAAAAAM/sBMFKnWHgYs/S220/carlos_3x4_01.jpg'/></author><thr:total>14</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7752636458859150445.post-8938118096819280730</id><published>2009-01-01T06:36:00.000-08:00</published><updated>2009-10-13T08:06:03.402-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Comunicados'/><title type='text'>&gt; Orobas!? Mas que diabo é isso, e por quê?</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;font-family:verdana;" &gt;por Carlos Raposo&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div  style="text-align: right;font-family:verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;Orobas magnus Princeps: procedit equo conformis:&lt;br /&gt;hominis autem indutus idoltum, de virtute divina loquitur:&lt;br /&gt;vera dat responsa de præteritis, præsentibus, futuris,&lt;br /&gt;de divinitate &amp;amp; creatione: neminem decipit, nec tentari sinit:&lt;br /&gt;confert prælaturas &amp;amp; dignitates, amicorum item &amp;amp; hostium favorem.&lt;br /&gt;Præsidet legionibus viginti.&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;(Johann Weyer, &lt;i&gt;c.&lt;/i&gt; 1583)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div  style="text-align: justify;font-family:verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;img src="http://www.artemagicka.com/blog_cr/letra_N.gif" heigh="70" align="left" width="70" /&gt;&lt;span style=";font-family:verdana;font-size:100%;"  &gt;este primeiro &lt;i&gt;post&lt;/i&gt;, parece-me obviamente apropriado explicar dois pontos básicos: o propósito do blog e o porquê de seu nome.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;Sem me estender em demasia quanto ao propósito, aqui viso expor pontos relacionados à História da O.T.O., a Ordo Templi Orientis, ordem religiosa que ganhou notoriedade por ter sido liderada por Aleister Crowley (1875-1947), um mago que se auto-denominava "A Grande Besta Selvagem". Caso você queira me perguntar algo sobre esse tema, utilize a opção "comentários" ou escreva diretamente para meu e-mail (disponibilizado na opção &lt;i&gt;perfil&lt;/i&gt;). Na medida do possível, vou publicando aqui as respostas. Sugestões também serão muito bem-vindas. Obrigado!&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style=";font-family:verdana;font-size:100%;"  &gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div  style="text-align: justify;font-family:verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;A respeito do título do &lt;i&gt;blog&lt;/i&gt;, originalmente, Orobas foi apresentado na obscura obra &lt;i&gt;Pseudomonarchia Daemonum&lt;/i&gt;, de onde vem a citação latina usada mais acima. Ela foi escrita por Johann Weyer (1515-1588), um médico que além de acreditar piamente nos espíritos e em magia, teve a sina de estar sob instrução de ninguém menos do que o talentoso e muito famoso Heinrich Cornelius Agrippa (1486–1535). Bem posteriormente, na primeira metade do século XIX, Orobas novamente aparece num curioso tomo sobre demonologia, o &lt;i&gt;Dictionnaire Infernal&lt;/i&gt;, de autoria do ocultista francês Jacques Collin de Plancy (1793-1887). Porém, foram os pitorescos Samuel Liddell "MacGregor" Mathers (1854–1918) e o já citado Aleister Crowley, os ocultistas que deram a Orobas a notoriedade que hoje este "príncipe infernal" possui. A fama de Orobas veio com a tradução de Mathers (que depois foi &lt;i&gt;inteiramente editada, verificada, introduzida e comentada&lt;/i&gt; por Crowley) do &lt;i&gt;Clavicula Salomonis&lt;/i&gt;, um grimório anônimo provavelmente datado do século XVII, que se encontrava esquecido nos arquivos da biblioteca do Arsenal, em Paris. Em sua primeira parte, chamada de &lt;i&gt;Ars Goetia&lt;/i&gt;, encontra-se apresentado todo o escrete goético, composto de 72 demônios que supostamente estiveram a serviço de Salomão. Orobas é um destes endiabrados serviçais.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style=";font-family:verdana;font-size:100%;"  &gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div  style="text-align: justify;font-family:verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;img src="http://www.artemagicka.com/blog_cr/orobas.jpg" heigh="138" align="right" hspace="5" vspace="5" width="162" /&gt;Resumidamente, Orobas é tido pela &lt;i&gt;Ars Goetia&lt;/i&gt; como um grande Príncipe, cuja imagem bestial às vezes lembra a de um cavalo com corpo, membros superiores e mãos humanas. O mais interessante, no entanto, é que uma das principais virtudes que lhes são imputadas é a capacidade ímpar de dar respostas verdadeiras e precisas sobre o passado, o presente e até mesmo sobre o futuro. Exatamente por isso, ele é um dos demônios prediletos daqueles ocultistas que, inadvertidamente, como o honrado doutor Weyer do século XVI, creem nas maravilhosas artes mágicas e divinatórias.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style=";font-family:verdana;font-size:100%;"  &gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div  style="text-align: justify;font-family:verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Ao pensar na criação desse &lt;i&gt;blog&lt;/i&gt;, cogitei batizá-lo "tudo o que você queria saber sobre a O.T.O. e que seu iniciador não teve a franqueza, coragem ou competência de lhe dizer". Contudo, achei a nominata um tanto que quilométrica, inadequada e portanto, sem graça. Abandonei a idéia. Depois, ao preferir algo mais sucinto, simplesmente decidi que era melhor prestar uma pequena homenagem aos que buscam a verdade e adotar para este espaço o mote de nosso infernal amigo. Embora eu, por uma ditosa falta de fé, não seja alguém disposto a fazer qualquer uso de &lt;i&gt;goetias&lt;/i&gt;, achei interessante a idéia dessa capacidade atribuída a Orobas - de dar respostas corretas - pois ela exprime muito bem a mais pura vontade de todos que, da mesma forma como eu, abraçam a história por profissão. Assim, é com essa perspectiva que busco inspiração para construir as linhas que aqui estarão. Daí o nome do &lt;i&gt;blog&lt;/i&gt;.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style=";font-family:verdana;font-size:100%;"  &gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div  style="text-align: justify;font-family:verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Agradeço a sua visita e espero que você se beneficie das informações que disponibilizarei neste espaço.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style=";font-family:verdana;font-size:100%;"  &gt;&lt;br /&gt;Um grande abraço.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7752636458859150445-8938118096819280730?l=orobas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://orobas.blogspot.com/feeds/8938118096819280730/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7752636458859150445&amp;postID=8938118096819280730&amp;isPopup=true' title='35 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7752636458859150445/posts/default/8938118096819280730'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7752636458859150445/posts/default/8938118096819280730'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://orobas.blogspot.com/2009/01/orobas-mas-que-diabo-isso-e-por-que.html' title='&gt; Orobas!? Mas que diabo é isso, e por quê?'/><author><name>Carlos Raposo:</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01056554005348141232</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_Hshd0rmnA8E/R4Eo8LM5OeI/AAAAAAAAAAM/sBMFKnWHgYs/S220/carlos_3x4_01.jpg'/></author><thr:total>35</thr:total></entry></feed>
